Em nossa primeira viagem no tempo, relembramos o papo reto com Egypcio, Baía e Cia. na época do lançamento do seu quarto álbum. Aperte os cintos e volte para 2005 com a gente!
Toda grande jornada tem um ponto de partida. Um momento zero. E a nossa, lá em 2005, foi abençoada por uma das bandas mais potentes, queridas e autênticas do rock nacional. Para celebrar nosso retorno e honrar cada passo dessa trajetória, inauguramos hoje a coluna Baú da X Rock.
Aqui, semanalmente, vamos abrir nossa cápsula do tempo digital e resgatar as matérias, entrevistas e coberturas que definiram quem somos. É a nossa chance de mostrar para a nova geração as raízes do nosso movimento e, para os veteranos, de reviver momentos que pareciam perdidos na poeira da memória da internet discada.
E não haveria forma mais justa de começar do que com a banda que nos apadrinhou, que acreditou no nosso corre desde o primeiro dia: o Tihuana.
Imagine o cenário: o álbum autointitulado da banda, o quarto da carreira, estava fresquinho nas prateleiras das lojas de CDs. O hit “Renata” começava a explodir nas rádios e na MTV. O rock brasileiro vivia um momento de efervescência, e o Tihuana era uma de suas locomotivas.
Nossa equipe, ainda com cheiro de novidade, sentou com Egypcio, Baía, PG e Roman para um papo reto, sincero e sem rodeios. Uma conversa que revelou não apenas a força musical do grupo, mas a resiliência humana de seus membros, como no relato impressionante de Baía sobre sua recuperação.
Aperte o play imaginário do seu Discman, ajuste o volume e viaje com a gente de volta para 23 de maio de 2005.
TIHUANA – A PRIMEIRA ENTREVISTA (2005)
Entrevista realizada em: 23/05/2005 | Publicada originalmente em: 26/05/2005
Álbum em foco: “Tihuana” (2005)
X Rock Brasil: Primeiramente, Baía, por que você está mancando? Notamos que você fez o show de muleta.
Baía: É que eu tive um problema na coluna, tive que fazer uma cirurgia. Tive problemas nessa cirurgia, então tive que fazer uma segunda e nesse processo eu acabei perdendo os movimentos da cintura pra baixo. Tive que reaprender a andar… Tô nesse processo há 8 meses e agora tô só na bengala. Mas beleza, há 7 meses eu estava numa cadeira de rodas. Agora tá tudo bem, tudo em paz, normal.
X Rock Brasil: Escutando esse novo CD percebemos que ele tem um som mais melódico. E ouvindo os quatro CDs do Tihuana vemos uma diferença muito grande. Contem pra gente como é essa “Metamorfose Tihuana”.
Roman: Sempre que a gente começa a compor um trabalho novo, começamos do zero. O CD acaba retratando muito o momento do Tihuana. Nosso compromisso é musical, não com estilo. Então temos liberdade para misturar tudo. É isso que nos mantém motivados.
X Rock Brasil: Soubemos que nesse CD vocês tiveram alguns conflitos, principalmente por conta de hierarquia. Como foi isso?
Baía: O Tihuana é muito participativo. Todos escrevem, compõem… discutimos muito, mas tudo em prol da música. E isso é bom, porque o CD tem a cara dos cinco, não de um ou dois.
X Rock Brasil: Falem um pouco sobre a música “Renata”, que trata da prostituição infantil.
Egypcio: Essa música tá indo bem pra carxxxx! Tocando no Brasil inteiro. A sacada do clipe com duas atrizes (mãe e filha) foi ideia da Jaqueline, esposa do Baía. Elas fazem teatro juntas.
X Rock Brasil: Como foi tocar em Itanhaém pela primeira vez?
Egypcio: Foi bem loko. A galera tá de parabéns. Vamos voltar sim!
X Rock Brasil: Egypcio, realizar o sonho de viver só de música… rolou?
Egypcio: Graças a Deus sim. É difícil aqui no Brasil, ainda mais no rock. Mas estamos sendo reconhecidos, tocamos em todo o país, e estamos realizados.
X Rock Brasil: PG, diz uma frase que define o Tihuana.
PG: Tihuana é uma banda Rock’n Roll com várias influências. Uma mistura bacana pra carxxxx!
X Rock Brasil: Roman, e seu nível de “brasilidade”?
Roman: Amo o Brasil. Meu coração é 50% brasileiro. Tirando o futebol, claro! (risos)
X Rock Brasil: Baía, você também é colunista do site “Vitória na Veia”, sobre futebol.
Baía: Sou fanático pelo Vitória. Sou conselheiro do clube. Quando não tô tocando, tô ligado no futebol.
Que baita viagem, né? Ler essas respostas hoje não é apenas nostalgia; é entender o DNA de uma banda resiliente e a paixão que movia toda a cena naquela época. Um registro histórico que temos o orgulho de trazer de volta à luz.
Essa foi apenas a primeira página do nosso baú. Semana que vem, abriremos outra gaveta empoeirada para trazer mais uma relíquia do rock nacional que passou pelos microfones da X Rock Brasil.
Até lá, aumente o som e vida longa ao rock’n’roll!


