Por Riffa
Meu irmão mais velho dizia que o primeiro arranhão no shape era como o primeiro chiado num vinil: o começo de uma boa história. Foi lendo as colunas de skate aqui da X Rock Brasil, com o som dele vazando do quarto, que eu entendi que o barulho das rodinhas no asfalto quente de Itanhaém era o nosso tipo de riff, a nossa atitude. E cá estou eu, anos depois, pra gente continuar essa sessão.
Quem rema no litoral sabe: a maresia é a inimiga número um dos seus rolamentos. Não adianta ter a melhor roda se o rolamento tá travado, parecendo que tem areia dentro. Uma dica de ouro que aprendi na marra: de tempos em tempos, tira eles, limpa com álcool isopropílico (que evapora e não deixa umidade) e joga um lubrificante próprio. Seu rolê vai ficar soltinho, sem aquele barulho de peça pedindo socorro.

A atitude do “faça você mesmo” é a herança do rock que meu irmão me deixou. O rolê podia ser um cruisinho relax pela orla da Praia dos Sonhos, sentindo o vento, ou subir pra gastar de verdade nas transições da pista perto do Mosteiro. Cada pico pede uma trilha sonora diferente, do som mais calmo a um hardcore pra dar gás no drop.
Cresci sendo a única mina em muitos picos por aí, ouvindo piadinha de “cuidado pra não quebrar a unha”. Mal sabiam eles que cada tombo só aumentava a vontade de acertar a manobra na frente deles. Hoje, o som que mais curto ouvir é o das rodinhas de outras minas chegando pra somar na sessão. A gente não só aprendeu a voar, a gente tá tomando o céu. 🛹
O skate te dá a liberdade, mas é a atitude que te define na lixa. Então bota o fone, aumenta o som e vai pro rolê. A rua é nossa.

