por Sam
Antigamente, quando a gente topava com um bicho na areia – uma tartaruga desovando, um pinguim perdido, uma ave marinha cansada – o silêncio era a regra. A gente ficava de longe. Observava com um respeito quase sagrado. Era um presente do mar, um lembrete de quem é o verdadeiro local daquele pico.
Hoje, o bicho virou celebridade instantânea. E a praia, um circo de horrores.
A cena se repete e embrulha o meu estômago: aparece um animal na areia e, em segundos, se forma um crowd em volta. Não é um crowd pra ajudar. É um crowd pra filmar. Celular na cara do bicho, flash estourando, gente rindo e se empurrando pra pegar o melhor ângulo. Cercam o coitado como se fosse um troféu, um acessório pra bombar o story.
Pra quê? Pra ganhar like? Pra mostrar pros amigos que viu um bicho “de verdade”? E o animal ali, estressado, assustado, muitas vezes ferido ou morrendo, sendo tratado como um ator de reality show. Viramos uma geração de paparazzi de bicho triste.
A gente desaprendeu o básico? O oceano não é um cenário pro seu umbigo. A praia não é um estúdio de fotografia. Os animais não são conteúdo. Eles são a vida pulsando, a essência do lugar que a gente diz que ama. Respeito não é uma opção, é a pXrra da obrigação.
Desde quando nosso ego ficou maior que o oceano?
Então, da próxima vez que você vir um bicho na areia, faz um favor pra ele e pra sua consciência: pega o raio do celular pra LIGAR. Liga pra Polícia Ambiental, pro projeto de resgate da sua cidade, pra quem entende do assunto. A melhor foto que você pode tirar é a que você não tira. A melhor lembrança é saber que você fez a coisa certa.
A foto some, o bicho morre. RESPEITO É O ÚNICO LEGADO QUE FICA. FAZ A TUA PARTE

