por Lorena
Nesse último domingo, eu fiquei aqui. Daqui de Santos, com o celular na mão, vendo os stories e as fotos subirem. Um sorriso no rosto e uma pontada de “raiva boa” no peito. A raiva de quem queria muito estar lá, mas a distância não deixou. No dia 27, rolou o Encontro Nacional Feminino de Parkour, e mesmo a centenas de quilômetros, eu consegui sentir a energia.
Ver aquelas imagens me lembrou do porquê encontros assim são tão vitais. Pra quem tá acostumada a ser a única mina no pico, a ser olhada com dúvida, um evento como esse não é só um “rolê”. É um respiro. É um pico de segurança. É um lugar onde você não precisa explicar nada. O calo na sua mão, o roxo na sua canela, o medo antes de um salto… tudo ali é uma linguagem universal. Ninguém te pergunta “se você não tem medo de se machucar”. Todo mundo sabe que o medo faz parte. E que a coragem de superá-lo é o que nos une.
Eu imagino o som. Não o de um par de tênis no concreto, mas de dezenas, em uníssono. Não a respiração ofegante de uma só pessoa, mas o fôlego coletivo de um grupo que se entende. Cada uma de nós, espalhada por esse país gigante, é como um ponto de apoio num mapa. O Encontro traça a linha que conecta tudo, cria um flow massivo, uma rede de força que a gente nem sabia que tinha. É a prova de que não estamos sozinhas.
A frustração de não ter ido vira combustível. A força que eu vi naquelas fotos e vídeos, o eco daquele encontro, me empurra pra treinar mais duro aqui, no meu canto. Porque da próxima vez, a distância não vai ser um obstáculo. Vai ser só mais um desafio a ser superado.
Para cada mina que, como eu, viu de longe: a gente estava lá em espírito. E o nosso movimento é muito, mas muito maior que a distância.

