Por Gianni Buenno – Publicado originalmente em 2005 no X Rock Brasil
Vamos falar sobre um assunto que ainda não foi abordado, mas para os amantes do ecoesporte e aqueles que têm vontade e não sabiam por onde começar, falaremos sobre Rafting.
O Esporte
O Rafting nada mais é do que descer corredeiras em rios de pequena, média ou grande extensão. Podendo levar de 1 hora a dias para percorrer do começo ao fim dele. Utilizam-se botes infláveis, remos e equipamentos de segurança, como colete salva-vidas e capacete.
Não é necessário muito conhecimento para se praticar o Rafting, mas é preciso força, alto astral e adorar a natureza. Os iniciantes devem sempre ir acompanhado de um instrutor que tenha conhecimento do rio onde irá ser praticado o esporte, pois é imprecindível conhecer suas corredeiras e os locais certos para a passagem do bote.
É necessário também, estar atento as instruções, para que o bote mantenha o equilíbrio e a descida torne-se mais intensa e empolgante.
Os Rios
O fluxo e intensidade da corredeira é medida de 1 a 6. Os rios de classe 1 possuem muito poucas corredeiras e é necessário mais esforço para remar por toda a extensão. Mesmo para os iniciantes fica um pouco monótono. Classe 2 possui mais corredeiras e pequenas quedas d’água. Os Rios de classe 3 (o qual eu já experimentei) possuem um maior número de corredeiras, geralmente o fluxo da água (mesmo no plano) é um pouco maior, precisando de menos esforço e com quedas d’água de, em média, 1 a 3 metros de altura. Trás emoções em algumas partes e em outras é gostoso para brincar e admirar a paisagem.
Os rios de classe 4 e 5 já possuem algumas cachoeiras e é necessário um maior conhecimento do percurso, exigindo esforço para manter o equilíbrio e remar contra o fluxo em alguns pontos. As quedas podem variar entre 3 a 6 metros e a emoção pode ser forte.
Já os rios de classe 6 não é possível a prática do Rafting. Caso alguém consiga descer uma corredeira dessa classe, ele automaticamente passa a ser um rio de classe 5. Então dá para imaginar a fúria das águas né? 🙂
Por onde devo começar?
Você que está afim de praticar e conhecer um novo ou mais um esporte em sua vida, procure por sítios ou lugares que ofereçam tudo que foi citado acima. Procure saber preços, o local, como chegar, se estes possuem todos os equipamentos e, se possível, alguém que já tenha praticado no local.
Escolha aquele que melhor se ajusta ao seu bolso e a sua emoção. Eu por exemplo, pratiquei em um sítio no qual o rio era de classe 3, o equipamento já estava incluso e os instrutores eram muito animados. Durante todo o percurso os botes estiveram próximos e pudemos interagir com outras equipes.
Houveram brincadeiras como corrida, surf (eu já explico o que é) e mergulho em partes de baixa corredeira. O percurso levou 2:30h para ser completado e foi algo que vou guardar na memória. O rio que descemos foi o Juquiá na cidade de Juquitiba – SP. Fica a mais ou menos 70km de São Paulo e pudemos desfrutar de um dia inteiro no sítio que ofereceu tudo que foi necessário para a diversão.
Escolhemos o horário da manhã, assim pudemos aproveitar o sítio na parte da tarde fazendo escalada, jogando bola, sinuca, ping-pong e se divertindo. O próprio local ofereceu as fotos, que foram tiradas por um profissional e gravadas em um CD.
Portanto, fica a dica para o que deve ser necessário para escolher um bom local para a prática do esporte, segurança e outras diversões mais.
Algumas dicas legais
Procure seguir atentamente a todas as instruções da pessoa que irá acompanhar o percurso com você. Geralmente são montadas equipes com 5 pessoas + o instrutor no bote. Uma dica importante e segura é não soltar o “T” que existe no remo. Ele fica na ponta ao qual você deve segurar firmemente para que este não escape e acabe acertando em um dos “ex”-integrantes (hahaha) da equipe.
Mantenha sempre os pés no local correto dentro do bote, lá existe uma espécie de fita ao qual você deve prende-lo. Nas corredeiras e quedas, caso não esteja bem preso você poderá cair do bote e isso pode ser perigoso dependendo do local. Muitas vezes existem pedras e pode ser doloroso.
Fique sempre em sincronia com os outros integrantes da equipe, isso garante uma remada mais precisa e com menos esforço, fazendo com que o bote deslize com mais rapidez. Existem instruções que são dadas para que todos no bote possam fazer o movimento certo, para o lado certo e ao mesmo tempo. Fique esperto(a).
Não é difícil, mas quem não pratica nenhum tipo de esporte (como eu) pode ser um pouco cansativo e os braços ficam um pouco doloridos ao final. Mas vale muito a pena.
O Surf
Uma parte muito divertida durante a descida é o “SURF”. Existem alguns pontos no rio no qual a queda chega no máximo 1 metro. A velocidade da água somada a queda, faz com que ela bata no fundo do rio, puxando a água que está a frente para trás. Isto faz com que existe um fluxo contrário ao curso da água, gerando o que chamamos de refluxo. Este refluxo trás mais ou menos 70% da água da corredeira no contra-fluxo, fazendo um pequeno redemoinho.
O divertido de tudo isso é fazer com que o bote fique parado o máximo de tempo possível neste refluxo sem sair do lugar, apenas jogando o corpo para a direita, para a esquerda ou para dentro do bote. Isso faz o bote girar, subir, tombar, mas não virar! É muuuuuuuuito divertido e exige sincronia, atenção e um pouco de esforço de toda a equipe. A emoção é muito boa e dá vontade de não parar mais. Faça bem feito e siga o toque do instrutor para manter o seu bote o máximo de tempo na “onda”.
Toques finais
Caso você já tenha praticado, ficam as minhas dicas pela experiência que tive num local ótimo. Para aqueles que ainda não praticaram, tomem coragem e aventurem-se num esporte que é muito divertido e radical. Quanto maior a classe, mais emoção e risco mas maior deve ser o seu conhecimento e esforço para fazer o melhor.
Neste esporte não existe competição, apenas o intuito de desafiar as suas capacidades de esforço, concentração e sincronia com outras pessoas. Jamais façam a prática de nenhum esporte sem os devidos equipamentos, principalmente os chamados \”radicais\”, com certeza você já ouviu falar das possíveis conseqüências.
No ecoesporte, lembre-se de que você está entrando no meio da natureza, leve sempre protetor solar, repelente, lanches leves, muuuuuuuuuuita água (além do rio) ou sucos naturais. Tome um bom café da manhã e coma muita fruta, principalmente banana (ela tem potássio e evita cãimbras).
De lá, traga apenas fotos, novas amizades e boas lembranças. Pedras, animais e outras coisas devem ser deixadas onde estão, para que você possa voltar e desfrutar novamente. Jogue o lixo no lixo e acima de tudo:
DIVIRTA-SE!!!
Um forte abraço a todos e muito XRock na veia!

