por Adenilson
A primeira coisa que eu faço antes de sair pro rolê, depois de dar um beijo na minha filha, é apertar os pneus. É um ritual. O som que a borracha faz no chão, o cheiro dela… é a voz da bike. É a única pXrra de coisa que te conecta de verdade com o asfalto. E tem uma galera que parece que esqueceu disso.
Hoje o que mais tem é pneu de vitrine. Colorido, fininho, leve pra c*ralho. Lindo pra tirar foto pro Instagram. O problema é que a rua não é estúdio de fotografia. A rua tem caco de vidro, tem guia mal feita, tem buraco. E esse pneu de papel crepom não aguenta uma semana de rolê de verdade. Rasga, fura, te deixa na mão no meio do nada. É a mesma merXda que banda que tem mais pose do que som. Bonito de ver, mas não aguenta o tranco.
Pra mim, pneu bom é pneu “casca grossa”. Aquele que você olha e sente que pode passar por cima de um apocalipse zumbi e ele vai continuar inteiro. Ele pode ser mais pesado, pode não ser da cor da moda, mas é ele que te dá a confiança cega pra dropar de um lugar mais alto, pra mandar um gap na rua sem medo de explodir na aterrissagem. É a diferença entre andar com medo e andar com vontade.
A borracha que canta no asfalto liso, o jeito que ela agarra no concreto na hora de fazer uma curva fechada… isso é a alma do rolê. É a linha de baixo da sua música. Sem ela, não tem groove, não tem peso. Pode ter o quadro mais foda, o guidão mais caro. Se o seu pneu for uma porcaria, você não tem nada. Você tem só uma bike bonita pra ficar encostada na parede.
No fim, é cair, levantar, repetir… e mandar um tailwhip no sistema.

