Aaah Mulheke!! O DRONE MORREU. O ROCK RESPIRA.

Por Tio do Coturno

 

Aaah Mulheke!!!

Essa semana eu tava aqui, tentando ter cinco minutos de paz, e me deparo com um vídeo que, pela primeira vez em anos, me fez abrir um sorriso sincero. Fred Durst, do Limp Bizkit, no meio do palco, mandando o som dele. E o que aparece? Uma barata voadora de LED, um espião high-tech, um drone, pairando na cara dele como se fosse o dono do show.

O que o Fred fez? O que qualquer roqueiro de verdade faria. Deu um tapa. Um peteleco. Um gesto simples, um “sai pra lá, pXrra” sem precisar abrir a boca. Naquele segundo, eu queria ser o Fred Durst. Eu queria ter dado aquele tapa. Porque aquilo não foi um ataque à tecnologia. Foi um ato de defesa do último santuário que a gente tem: o palco.

A gente já atura o mar de celulares na nossa frente, filmando tudo na vertical, estragando a experiência de todo mundo. Agora a gente tem que aguentar um ventilador com câmera zumbindo na orelha do músico? Ah, vá pra casa do c*ralho!

Aaah Mulheke!! Mas o melhor (ou pior) vem depois. A internet, claro, virou um tribunal. E lá veio a patrulha. O sommelier de polêmica, o fiscal de propriedade de drone alheio. “Ain, mas não precisava”, “Ain, e se quebra o equipamento caro?”, “Ain, que atitude agressiva”.

Que atitude agressiva? Onde essa gente tava nos últimos 40 anos? Onde foram parar os roqueiros de verdade? A gente vem de uma era em que o Ozzy mordia morcego, o Axl pulava no meio da plateia pra dar porrada em fã, o Kurt Cobain quebrava o equipamento inteiro no final do show. Isso era rock and roll. Era imprevisível, era perigoso, era REAL.

Hoje, se um músico dá um tapa num drone que tá invadindo o espaço dele, ele é julgado por uma molecada que acha que show de rock é pra ser uma experiência segura e “instagramável”. Esses comentários não são de gente da cena. São de haters, de curiosos, de gente que não entende que o rock não é pra ser bonitinho. O rock é pra ser um soco na cara da normalidade.

O Fred Durst não derrubou só um drone. Ele derrubou, por um segundo, a monotonia e a chatice do politicamente correto. E só por isso, ele já merecia um prêmio.

Aaah Mulheke!!

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