Tihuana: A Saga da Mistura Sonora que Apadrinhou o X Rock Brasil

No caldeirão sonoro que forjou o rock brasileiro dos anos 2000, poucas bandas tiveram uma identidade tão única e contagiante quanto o Tihuana. Com uma mistura explosiva de rock, rap, reggae e ritmos latinos, eles criaram a trilha sonora de uma geração. Para o Brasil, eles são os donos de hinos imortais. Para nós, do X Rock Brasil, eles são os padrinhos. Esta é a história da banda que nos deu a primeira bênção e agora retorna para uma despedida triunfal.

A Gênese: Da Falta de Espaço à Conquista de São Paulo

A história do Tihuana começa com uma migração. Em 1999, os músicos cariocas Román Laurito (baixo), PG (bateria), Leo Stuart (guitarra) e Fernando Baía (percussão), sentindo a falta de espaço para o rock na mídia do Rio, fizeram as malas para São Paulo em busca de um sonho. Após a saída do vocalista original, a banda estava prestes a se desfazer quando, em uma feira de surfe, PG ouviu uma voz que mudaria tudo: a de Adriano “Egypcio” Grande. A energia era inegável. O Tihuana estava formado.

O álbum de estreia, “Ilegal” (2000), produzido pela lendária dupla Rick Bonadio e Rodrigo Castanho, foi um sucesso imediato. Com 150 mil cópias vendidas, o disco de ouro apresentou ao Brasil uma fusão sonora nunca antes vista. E, claro, trouxe o hino que se tornaria um fenômeno: “Tropa de Elite”. Curiosamente, a música, lançada sete anos antes do filme de José Padilha, era uma “zoeira” sobre ir para a balada, provando a genialidade da banda em criar um som que podia ser ressignificado de forma tão poderosa.

A Parceria Histórica que Batizou o X Rock Brasil

O sucesso de “Ilegal” e dos álbuns seguintes, como “A Vida Nos Ensina” (2002) e “Aqui ou em Qualquer Lugar” (2003), consolidou o Tihuana como uma das maiores bandas do país. E foi nesse auge que a nossa história se cruzou com a deles de forma definitiva.

Em maio de 2005, no rastro do lançamento do álbum homônimo “Tihuana”, este portal, então um novato na cena do jornalismo musical, teve a honra de realizar sua primeira entrevista oficial com uma banda. A escolhida foi o Tihuana. Eles não apenas nos receberam, mas abraçaram nosso projeto. Naquele momento, o Tihuana não era apenas uma banda; eles se tornaram os padrinhos do X Rock Brasil, nos dando a credibilidade e o impulso para começar nossa jornada.

A parceria se fortaleceu. Em 2007, voltamos a conversar com eles, desta vez sobre o álbum ao vivo “Tropa de Elite – Ao Vivo”. A entrevista aconteceu poucos meses antes do lançamento do filme de José Padilha, que transformaria a música em um hino nacional e catapultaria a banda a um novo patamar de fama. Estávamos lá, testemunhando a calmaria antes da tempestade, graças à confiança que eles depositaram em nós.

Consolidação, Hiato e o Retorno Triunfal

Com o sucesso renovado pelo filme, a banda seguiu lançando álbuns e fazendo shows por todo o país. Após a saída de Fernando Baía em 2012 e o último álbum de estúdio em 2013, a jornada chegou a uma pausa. Em 2017, no Dia Mundial do Rock, Egypcio anunciou sua saída, e a banda encerrou as atividades por tempo indeterminado.

Sete anos se passaram. Sete anos de cobranças dos fãs, de uma saudade que não passava. Até que, em 2024, a notícia que todos esperavam veio: o Tihuana estava de volta. Motivados pela celebração dos 25 anos do álbum “Ilegal”, a formação original — Egypcio, Román, Leo, PG e Baía — se reuniu para uma turnê de despedida. Aquele adeus que não aconteceu em 2017 finalmente se tornaria realidade.

O Legado e a Despedida dos Padrinhos

A turnê “Tihuana 25 Anos”, que começou em 2024 e segue firme por 2025, passando por festivais gigantes como The Town e Somos Rock, é mais do que uma celebração. É o fechamento de um ciclo. Com arranjos renovados e uma energia contagiante, a banda está entregando aos fãs a despedida digna que sua história merece.

Para o rock nacional, o Tihuana deixa um legado de inovação e atitude. Para o X Rock Brasil, eles são a nossa raiz. A banda que acreditou na gente quando éramos apenas um sonho. Vê-los de volta aos palcos, celebrando a história que eles construíram e da qual temos a honra de fazer parte, é a prova de que o verdadeiro rock and roll nunca morre. Ele só tira umas férias.

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