DUAS RODAS, MUITAS HISTÓRIAS

por Adenilson

 

No litoral, a gente cresce vendo bicicleta em tudo quanto é canto. Criança indo pra escola, moleque cortando caminho pra praia, trabalhador voltando do trampo. Mas tem uma cena que me pega de verdade: a do pessoal da terceira idade no pedal.

Não é rolê de manobra, não é corrida de oito segundos. É vida em movimento. É dona Maria indo no mercadinho sem depender do filho. É o seu Antônio cruzando a ciclovia devagarzinho, mas com aquele sorriso de quem ainda tem o controle do próprio caminho. Isso, pra mim, é BMX também: Bicicleta Move Xpirições.

A galera esquece que envelhecer não significa parar. A bike é a prova disso. Ela dá equilíbrio, força, confiança. O vento no rosto não tem data de validade. E mais: pedalar é social. Você vê os grupos de idosos na orla, trocando ideia, rindo, lembrando dos tempos antigos. A bicicleta vira ponte entre passado e presente.

E olha, vou te falar: o asfalto do litoral não perdoa nem moleque de vinte, imagina quem já passou dos sessenta. Por isso que respeito ainda mais quem insiste no pedal. Cada quilômetro ali é uma declaração de independência. É o corpo dizendo: “tô vivo, tô aqui, e não vou esperar sentado a vida passar”.

Seja num salto de freestyle ou numa ida tranquila até a padaria, a bicicleta continua sendo a mesma: uma extensão da gente. No caso da terceira idade, é mais do que exercício. É autonomia. É dignidade. É lembrar pro mundo — e pra si mesmo — que liberdade tem duas rodas.

No fim, é cair, levantar, repetir… e mandar um tailwhip no sistema.

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