ENTRE O AMARELO E O VERDE

Por Tio do Coturno

 

Aaah Mulheke!!!
Antes de mais nada: licença. Hoje vou sair, de novo, do que vocês esperam dessa coluna. E vou pedir desculpas, porque não dá pra fingir que não me pegou de jeito. Eu já tinha falado aqui sobre o setembro amarelo, esse mês que a gente insiste em ignorar mesmo sendo o rock inteiro atravessado por histórias de depressão e perdas. Mas descobri que setembro também é setembro verde — mês da conscientização sobre a doação de órgãos. E adivinha quem me deu esse tapa na cara? Não foi um professor, não foi uma ONG, não foi um cartaz na rua. Foi uma garotinha de 8 anos.

Sim, oito. A pequena Livy (segue lá: instagram.com/livy.star) que, com a pouca idade, já respira rock, toca, vive esportes radicais, já é mais roqueira que muito marmanjo que se diz “true”. Mas o que mais me deixou com um nó na garganta foi ver ela levantando a bandeira do setembro verde. Por quê? Porque o irmão dela, hoje adolescente, precisou de um órgão. Isso, mano. E foi pela dor dentro de casa que essa pequena resolveu botar a cara pra defender a causa.

Aaah Mulheke!!! Se o setembro amarelo já é um tabu que a cena quase nunca toca, o setembro verde então… quem é que fala disso? Quantos de nós já vimos uma banda parar o show pra lembrar que doar órgãos salva vidas? Quase ninguém. E olha a ironia: o rock que sempre se gabou de ser contestador, de “abrir os olhos da galera”, muitas vezes fecha os olhos pras campanhas que realmente mexem com a vida das pessoas.

A real é que eu precisei de uma menina de 8 anos pra lembrar que música e atitude não podem andar separadas. E que se a gente não fala nem do que nos corrói (depressão), imagina do que poucos sabem que existe (doação de órgãos).

Então fica aqui o puxão de orelha — pra mim, pra você, pra cena. Se até a Livy já entendeu, qual a desculpa da gente?

Aaah Mulheke!!!

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