Direto dos arquivos do Baú da X Rock, voltamos a dezembro de 2005 para revisitar uma das matérias mais provocantes da época: “Poluição Sonora”, escrita por Alex Silva.
Um texto que criticava a superficialidade musical da nova geração e exaltava os verdadeiros músicos que marcaram história. Mais uma viagem no tempo da X Rock Brasil!
Baú da X Rock – Poluição Sonora
🗓️ Publicado originalmente em 15 de dezembro de 2005 – (Imagens diferentes das publicadas originalmente)
Por Alex Silva
Olha a feira!!!
O verão vem chegando e a diversidade da música aumenta — junto também com a bagunça e a poluição sonora em nossas rádios. Confira:
“Galerinha do X Rock Brasil, como todos sabemos, o final de ano é a época em que grandes diversidades de eventos musicais acontecem em nosso país. Por isso, resolvi expressar a minha opinião devido à nova geração musical que invade os nossos belos ouvidinhos todos os dias, transformando o nosso dia-a-dia em uma tremenda dor de cabeça.”
Galerinha, pode vir que a feira já começou e todas as barracas já estão exibindo o que possuem de melhor… hehehe! Calma pessoal, isso foi apenas uma brincadeirinha.
Na verdade, esqueçam o que mencionei acima. Apenas citei a feira como exemplo, pra que vocês possam compreender o que quero expressar. Porque, na verdade, feira é o que se vive todo dia quando colocamos a cara pra fora de casa e encaramos esse mundão — e parece que ultimamente a feira anda até bem cheia… não de pessoas, mas de vergonhosas qualidades sonoras.
Se pararmos pra analisar a nova safra musical que vem surgindo — essa mesma que não se preocupa com o que está sendo apresentado ao público —, perceberemos que estamos no meio de uma feira. As frutas podem ser grandes, vistosas e até mostrar investimentos pesados, mas quando paramos pra provar… é aí que sentimos o gosto do que estamos consumindo.
Tenho até pena dessa nova geração que está tendo de conviver com tanta bagunça — com letras mal elaboradas, vozes mal apresentadas e uma publicidade que eleva até mesmo as bandas mais medíocres. Prova disso são essas bandinhas passageiras, que surgem com um baita trabalho produzido, um marketing afiado, e somem como o pó. É claro que algumas, mesmo de curta duração, mostraram qualidade… mas outras realmente mereciam ir embora sem nem dizer adeus!
O pior é quando chegamos ao final da feira e percebemos que, apesar dos preços acessíveis, a qualidade já se perdeu há muito tempo. É isso que está acontecendo com a música mundial — insistem em produzir verdadeiras porcarias e quinquilharias sonoras.
Que a verdade seja dita: hoje é fácil produzir um músico, o difícil é encontrar um músico de verdade — aquele que tem vocação e prazer em criar o som leve e sincero.
A música, quando estudada e sentida, revela sua verdadeira grandeza — independentemente do estilo. Mas o que vem sendo produzido hoje envergonha quem, no passado, lutou pra transformar a música no que ela tem de melhor.
Antigamente, pra alcançar sucesso, o músico precisava ter afinação e talento. Hoje, tudo pode ser mascarado pela tecnologia. Qualquer pessoa, mesmo completamente desafinada, pode gravar um CD, porque os estúdios transformam qualquer voz em sucesso.
Quantos de vocês já não compararam um vocalista no estúdio e ao vivo? Já cansei de ver cantores que, quando sobem no palco, mostram que o dom não é tão nato assim…
Produzir em estúdio é simples — basta ter dinheiro e oportunidade. Mas o verdadeiro músico é aquele que manda bem em qualquer lugar, nem que seja cantando no chuveiro. O pior é perceber o desperdício artístico crescendo dia após dia.
Outro dia eu estava lendo letras de grandes músicos — Renato Russo, Cássia Eller, Cazuza, Raul Seixas, entre outros — que elevaram o rock a um nível artístico gigante. Não podemos esquecer também dos músicos dos anos 70 e 80, com suas letras místicas e sons fabulosos, e da Jovem Guarda, que enriqueceu nossa cultura e elevou o orgulho nacional.
Esses sim viveram tempos difíceis e, com força de vontade e dom, enfrentaram tudo pra fazer o que mais amavam. Espero que essa nova geração, assim como eu (que ainda sou jovem, tá? rs), aprenda com eles e deixe o preconceito de lado. Que a gente melhore a harmonia musical e pare de alimentar tantas porcarias sonoras que insistem em continuar.
Produzam, criem, elaborem e diferenciem estilos, mas nunca se esqueçam:
pra cada trabalho desenvolvido, existe um fã — um ser humano como qualquer outro — que se inspira no seu ídolo pra se tornar o homem de amanhã.

