“O PRIMEIRO SALTO A GENTE NUNCA ESQUECE”

por Lorena

 

Tem algo mágico em ver alguém descobrindo o Parkour pela primeira vez. É como assistir o corpo lembrando que foi feito pra brincar, correr, pular — pra explorar o mundo com coragem e curiosidade.

Essa semana eu fui até um pico novo aqui em Santos, perto do Canal 4, pra conhecer uma menina que me chamou atenção em um vídeo que um amigo meu me mostrou e que é prima dele. O nome dela é Isabella, mas todo mundo no treino já chama de “Bel”. Ela tem 12 anos, treina há apenas quatro meses e já carrega uma mentalidade que muita gente grande esqueceu no caminho.

A gente sentou num banco de concreto, com o barulho do mar lá no fundo, e conversou sobre o que significa começar no Parkour tão cedo — e o que ela tem aprendido sobre coragem, medo e liberdade.


 

Entrevista com Isabella “Bel”, 12 anos, praticante de Parkour em Santos

 

Lorena: Bel, o que te fez começar no Parkour?
Bel: Eu vi uns meninos treinando perto do shopping, pulando muro, descendo corrimão… e pensei “eu quero aprender isso também!”. Eu sempre gostei de subir em árvore, correr, inventar brincadeira. Aí um dia um dos meninos me chamou pra tentar, e desde então nunca mais parei.

Lorena: E o que você sentiu no primeiro salto?
Bel: Medo (risos). Mas foi um medo bom, sabe? Aquele frio na barriga que parece que o corpo tá te testando. Eu pulei de uma mureta pequena, só uns 60 centímetros, mas pra mim parecia um prédio! Quando eu aterrissei certinho, senti um orgulho tão grande que saí pulando de alegria.

Lorena: Você acha que o Parkour mudou alguma coisa na sua vida?
Bel: Sim! Antes eu era muito tímida. Tinha medo de errar, de cair, de ser zoada. Agora eu aprendi que errar faz parte. Todo mundo erra no treino, até quem é bom. O importante é levantar e tentar de novo. Acho que isso serve pra tudo, até pra escola.

Lorena: E o que você mais gosta quando treina?
Bel: O barulho do tênis no chão. Sério! Quando o pé bate e o som sai limpo, é tipo uma música. Eu fico repetindo até sair igual toda vez. Também gosto quando o pessoal do grupo comemora junto. Às vezes alguém acerta um movimento e todo mundo grita, é uma energia boa demais.

Lorena: O que você acha mais difícil até agora?
Bel: O rolamento! (risos) Eu achava que era fácil, mas não é. Às vezes sai torto, às vezes dói o ombro, mas eu tô pegando o jeito. A Lorena (outra do treino, não você!) falou que o segredo é respirar e deixar o corpo girar, não forçar.

Lorena: E o que o Parkour te ensinou sobre medo?
Bel: Que ele não é inimigo. O medo te avisa quando você não tá pronta ainda. A diferença é ouvir sem deixar ele mandar. Eu aprendi a respeitar o medo, e isso é muito legal.

Lorena: O que você diria pra outras meninas que têm vontade de começar?
Bel: Eu diria pra tentar. Mesmo se acharem que não têm força, ou se acharem que é coisa de menino. Parkour é pra quem tem vontade, não pra quem tem músculo. Se você tem coragem de tentar, já tá dentro.


 

Fecho de Lorena:

Saí do treino com um sorriso que não cabia no rosto.
Bel me lembrou de uma coisa que a gente, adulto, às vezes esquece: a coragem não vem do tamanho do salto, mas da disposição de tentar — de levantar e tentar de novo.

O Parkour precisa de mais “Bels”: pessoas que olham pro muro e veem um convite, não uma barreira.

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