🗓️ Matéria publicada originalmente em 11 de setembro de 2005, durante o Festival de Inverno de Itanhaém, e reeditada pela equipe X Rock Brasil em 2025 com pequenas correções de texto e formatação.
Nando Reis e os Infernais se apresentaram na sexta-feira, dia 29 de julho de 2005, durante o Festival de Inverno de Itanhaém. A equipe do portal X Rock Brasil e o Programa Bom Dia Itanhaém, da Rádio Anchieta AM (1390 KHz), estiveram presentes para conversar com o músico. Confira o que rolou nessa entrevista especial:
Bom Dia Itanhaém: Nando Reis, conte pra gente. Qual o segredo para, após tantos anos de carreira, manter todo esse sucesso?
Nando Reis: É difícil falar em segredo, porque a maior característica — e o que eu mais admiro em um músico — é você não ter “fórmula”, que é diferente de ter estilo. Acho que dois fatores são importantes: a manutenção do seu próprio público, que tem uma relação de fidelidade e admiração pelo seu trabalho; e a constante renovação, que traz públicos diferentes.
Com essa turnê, especialmente com este disco, sinto que há muito mais gente indo aos shows do que antes. O álbum é ao vivo, com muitas músicas já conhecidas — algumas que as pessoas não sabiam que eram minhas — e outras inéditas. Isso torna o show interessante e surpreendente para quem o assiste pela primeira vez. No fim, o único segredo é qualidade, e isso reúne talento e força.
X Rock Brasil: Você já está na estrada há vários anos. Quais as principais mudanças que percebe no cenário do rock brasileiro desde o início da sua carreira?
Nando Reis: Muitas, mas por outro lado, nem tantas. A música vive de renovação. O cenário em 1970, quando comecei, era totalmente diferente. Não havia tanta penetração da música brasileira nas rádios — a maioria das músicas tocadas nas FMs era estrangeira.
Nós fizemos parte de uma geração que ampliou a difusão da música nacional. Como todos eram muito jovens, isso tocou adolescentes da mesma idade e ampliou o mercado fonográfico. Naquela época, era preciso estar vinculado a uma gravadora para gravar um disco. Hoje, com a facilidade de gravação e distribuição, muita gente consegue lançar seu trabalho de forma independente.
Porém, ainda há o mesmo problema nas rádios FM: as grandes gravadoras monopolizam o espaço, e as rádios independentes são poucas. Isso cria um descompasso entre o que é produzido e o que realmente chega ao público.
Bom Dia Itanhaém: Como é pra você estar tocando aqui mais uma vez em Itanhaém?
Nando Reis: Eu adoro tocar no litoral. Grande parte da história dos Titãs — e do rock brasileiro — teve um dos seus grandes polos aqui no litoral sul de São Paulo, principalmente em Santos. É um barato! A gente tocava um “heavy metal caiçara”, digamos assim.
Existe uma relação entre São Paulo e o litoral: as pessoas vêm pra cá, relaxam, ficam de férias, e o clima é sempre leve. Tocar em Itanhaém novamente é sempre uma experiência diferente — cada show tem um público novo e deve ser encarado como se fosse a primeira vez.
X Rock Brasil: Recentemente, um músico dos anos 80 criticou artistas que ainda tocam as mesmas músicas antigas em seus shows. Como você encara essa crítica?
Nando Reis: Acho que cada um faz o que quer. Não critico nem julgo ninguém por isso. Eu mesmo canto músicas que compus há 20 anos, e a cada vez que as toco, elas soam diferentes.
Felizmente, continuo compondo e sempre trago novidades — isso enriquece o repertório. Se alguém fez uma música linda, tem o direito de cantá-la pelo resto da vida. Eu nunca vou condenar uma pessoa por isso.

