A história real de terror que inspirou a canção que batizou a banda e inventou um gênero.
O ano é 1969. O mundo flutua na onda de “paz e amor” do festival de Woodstock. Mas na cinzenta e industrial cidade de Birmingham, na Inglaterra, quatro jovens trabalhadores estavam criando algo completamente diferente. Algo pesado, sombrio e ameaçador.
A música começa com o som de chuva e o toque de um sino fúnebre. Então, entram três notas de guitarra. Lentas, arrastadas, dissonantes. É um som que não soa como rock ‘n’ roll. Soa como o prenúncio do fim do mundo.
A banda tinha uma ideia simples, quase genial: se as pessoas pagam para sentir medo em filmes de terror, por que não pagariam para sentir o mesmo com a música? Mas a inspiração para sua primeira e mais icônica canção não veio de um filme. Veio de uma experiência real, de uma visita noturna que faria um de seus membros abandonar o ocultismo para sempre.
A banda era o Black Sabbath. A canção, a homônima “Black Sabbath”. E essa faixa não é apenas uma música; é o marco zero, o Big Bang do heavy metal.
A história por trás da letra é um dos contos mais famosos do rock. Geezer Butler, o baixista e principal letrista da banda, era fascinado por ocultismo e magia negra. Ozzy Osbourne chegou a lhe dar um antigo livro sobre o assunto, que Geezer leu antes de dormir. Segundo ele, seu apartamento era pintado de preto e decorado com crucifixos invertidos.
Naquela noite, a ficção se tornou um terror real. Geezer acordou e viu “uma figura alta e sombria, toda de preto, parada aos pés de sua cama”. Paralisado de medo, ele observou a figura, que simplesmente o encarou e depois desapareceu. Para aumentar o mistério, o livro que ele estava lendo, que estava em sua mesa de cabeceira, também havia sumido.
Aterrorizado, Geezer contou a história para Ozzy na manhã seguinte. A experiência foi tão impactante que ele abandonou completamente seu interesse pelo ocultismo. Mas o terror daquela noite se tornou a semente de sua letra mais famosa. A música começa exatamente como sua experiência:
What is this that stands before me?Figure in black which points at me
(O que é isto que está diante de mim?)(Uma figura de preto que aponta para mim)
Enquanto Geezer Butler escrevia a crônica de seu pesadelo, o guitarrista Tony Iommi, sem saber da história, criava a trilha sonora perfeita para ela. O riff principal da música é construído em torno de um intervalo musical de três tons, conhecido na Idade Média como o trítono ou Diabolus in Musica (“O Diabo na Música”). Por séculos, esse som foi considerado maligno, instável e proibido na música sacra por sua natureza dissonante e perturbadora.
Iommi, intuitivamente, usou o “som do diabo” para criar a atmosfera de terror que a banda buscava. A lentidão, o peso e a dissonância do riff eram o equivalente musical da aparição sombria que Geezer viu.
Juntas, a letra de Geezer e o riff de Iommi criaram algo novo. A canção “Black Sabbath” não apenas deu um novo nome à banda (que antes se chamava Earth), mas definiu sua identidade e criou a fundação para um gênero musical inteiro. O heavy metal não nasceu de uma fantasia. Nasceu de um pesadelo real.
E aí, curtiu a história? Deixe nos comentários qual clássico do rock você quer ver desvendado na nossa próxima coluna!

What is this that stands before me?Figure in black which points at me
