Por Riffa
Vou mandar a real pra vocês: eu tô há dias tentando escrever essa coluna. Escrevi, apaguei, amassei o papel (metaforicamente, claro), comecei de novo. A ansiedade tava batendo forte, igual maré cheia no Cibratel. É que, às vezes, o sentimento é tão gigante que nenhuma palavra parece caber no shape. Como é que a gente descreve a perfeição? Como a gente traduz o orgulho de ver uma mina de 17 anos colocar o mundo no bolso pela quarta vez seguida?
Mas meu irmão mais velho sempre dizia: “Se o riff é bom, ele sai da alma, não da cabeça”. Então, bora falar com o coração sobre o que rolou no Ginásio do Ibirapuera no último domingo.
A Rayssa Leal não ganhou só um campeonato. Ela fez história. Ela conquistou o Tetracampeonato da SLS Super Crown. É o quarto título consecutivo da maior competição do mundo, em casa, com 10 mil cabeças gritando o nome dela.
A atmosfera tava pesada. A australiana Chloe Covell e aquele esquadrão japonês (que sempre dá trabalho) vieram com sangue nos olhos. Mas a Rayssa? A Rayssa entrou na pista como quem entra no palco pra tocar o último hit do show.
Ela liderou do começo ao fim. Já abriu com uma volta de 8,3 pra mostrar quem manda. Mas o momento “rock ‘n’ roll” puro foi quando a Chloe encostou no placar. A Rayssa não tremeu. Ela foi lá e mandou um Kickflip no corrimão que valeu 8,7. Foi a distorção que faltava pra calar a concorrência. Ela finalizou com um 8,1 só pra carimbar o passaporte pra eternidade.
Mas o skate não é só a manobra perfeita que sai na TV. É o que acontece no backstage. E foi isso que me fez reescrever esse texto mil vezes.
A gente vê a “Fadinha” voando, mas esquece que ela é humana. Ela confessou depois que caiu feio no treino de sexta-feira, machucou o joelho e bateu a cabeça. Imagina a pressão? O corpo doendo, o mental abalado… mas ela foi lá, com proteção no joelho e a atitude de quem tem casca grossa.
Quando acabou, ela desabou no choro ali mesmo na pista. Não foi choro de tristeza, foi o alívio de quem carrega o peso de ser a maior. Ela disse uma frase que ecoou forte aqui: “Hoje em dia não preciso provar nada pra ninguém… mas esse campeonato eu queria muito ganhar”.
Aos 17 anos (e quase 18), ela é a mais jovem tetracampeã da história. Ela tem 27 títulos internacionais na conta. Deixou de ser a menina da fantasia de fada pra virar a mulher que sustenta a família, que fatura alto (botou mais 100 mil doletas no bolso nesse fds) e que redefiniu o skate feminino.
Escrever sobre a Rayssa é difícil porque ela quebra todos os limites. Mas ver ela no topo, com a bandeira do Brasil, me faz ter certeza de uma coisa: a dor é temporária, mas o legado dela é eterno.
Valeu, Rayssa. Por fazer a gente chorar, gritar e ter orgulho de ser do asfalto.
Bota o fone, aumenta o som e celebra. A rua é dela. A rua é nossa.

