por Sam
Sal na veia, irmão.
É a saideira. A última do ano antes da gente dar aquele tempo pra recarregar as energias e deixar a maré levar o que tiver que levar. E eu confesso que estava preparado pra vir aqui e descer a lenha no crowd de verão, nas caixinhas de som bluetooth e na falta de educação que chega junto com o Papai Noel.
Mas o sábado me calou.
No dia 20 de dezembro, o Itanhaém não viu disputinha de ego. Viu o 1º Encontro dos Dinossauros do Surf de Itanhaém. E, meu amigo, isso sim é fechar o ano com chave de ouro.
Os organizadores do evento entenderam tudo. Não montaram palanque pra juiz, não botaram lycra de competição. Eles montaram um palco pra amizade.
Ver aquela festa cheia de “dinossauros” — e eu uso essa palavra com o maior respeito do mundo, porque dinossauro é quem sobreviveu, quem desbravou, quem estava lá quando tudo isso aqui era mato e água — foi de lavar a alma. Eram irmãos de 40 anos de estrada se abraçando, lembrando de quando prancha era pesada e leash era luxo.
A gente vive falando que o surfe virou produto, virou moda. Mas ali, no sábado, o surfe voltou a ser o que ele nunca deveria ter deixado de ser: laço, identidade e família.
A molecada de hoje, que chega na praia com a prancha de epóxi e o instrutor do lado, precisa olhar pra esses caras e baixar a cabeça. Se Itanhaém é o que é hoje, se a gente tem essa cultura vibrante, é porque lá nos anos 80 tinha gente como o Flávio La Barre e tantos outros abrindo o caminho na raça.
O termo “Dinossauro” não é sobre ser velho. É sobre ter história. É sobre ter construído a tradição onde só existia mar. E ver essa galera reunida, celebrando a vida e não a nota da manobra, é a prova de que o espírito do surfe de Itanhaém tá mais vivo do que nunca.
E pra completar a festa, nada de música eletrônica chata. Tivemos a banda Malaki mandando aquele Rock and Roll honesto, a trilha sonora oficial de quem tem sal na veia. Foi a cereja do bolo. Família na areia, som na caixa e a certeza de que a gente pertence a esse lugar.
Até a Volta
Essa coluna vai fazer uma breve pausa. Vamos dar um respiro, deixar o verão acontecer. Mas eu vou sair de 2025 com o coração mais leve depois desse sábado.
O Encontro dos Dinossauros mostrou que a nossa essência é blindada. Podem vir as modas, podem vir os hypes, mas a raiz… ah, a raiz ninguém arranca.
Aproveitem o fim de ano. Respeitem o mar. Respeitem os locais. E, acima de tudo, honrem quem veio antes de vocês.
A gente se vê na arrebentação em 2026.
Aloha e boas ondas.

