Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
Eu achei que já tinha visto de tudo nessa minha volta da hibernação, mas o mundo insiste em se superar no quesito “bizarrice institucional”. Estamos no Natal, época de paz, amor e de aguentar aquele tio chato perguntando das namoradas, mas para os Garotos Podres, o presente de grego veio com carimbo da polícia.
Vocês acreditam que a banda foi denunciada e teve que prestar depoimento por causa de uma música gravada há 40 anos? Sim, estou falando do clássico “Papai Noel Velho Batuta”, de 1985. Quarenta anos, meu chapa! A música passou pela censura do Período Militar, mas não passou pelo crivo dos “fiscais de bons costumes” de 2025.
O inquérito fala em “forma subliminar de incentivo à violência” e até “ofensa religiosa”. Aaah Mulheke!!! Alguém avisa pra essa galera que o Papai Noel não existe? O Mao, vocalista e professor de história, teve que ir lá explicar que a letra é uma crítica social ao capitalismo e à desigualdade, usando o bom velhinho como metáfora.
É de cair o coturno do pé! Enquanto tem crime de verdade rolando em cada esquina, a máquina pública está ocupada analisando se um hino punk do ABC paulista, que todo mundo canta há décadas, vai ferir os sentimentos de um boneco de plástico no shopping. É a prova de que a censura não morreu, ela só trocou de roupa e agora usa o “botão de denúncia” de quem não tem mais o que fazer. Se a moda pega, daqui a pouco vão prender o lobo mau por invasão de domicílio na casa dos três porquinhos.
Aaah Mulheke!!! Apesar dos pesares e desse cheiro de mofo autoritário no ar, o espírito do rock ainda é o que nos mantém de pé. Quero aproveitar esse espaço para desejar um Feliz Natal para toda a nação underground que acompanha esta coluna ácida.
Para você que prefere o som da distorção ao “Jingle Bell” de elevador, que o seu Natal tenha muito riff pesado, cerveja gelada e zero hipocrisia. Um agradecimento especial a toda a equipe da X Rock Brasil, que me tirou da caverna e me deu esse megafone para eu falar as verdades que ninguém quer ouvir. Vocês são o combustível dessa resistência.
Que o Papai Noel — o verdadeiro, não o “velho batuta” do inquérito — traga fones de ouvido novos para vocês não terem que ouvir a playlist de Natal da vizinha.
Aaah Mulheke!!!

