Na primeira edição do Baú da X Rock de 2026, voltamos 20 anos no tempo para relembrar a primeira coluna de skate redigida por aDe, que contava a história do skate, até aquele momento.
A História do Skate
Publicado originalmente em 2006 — reeditado com correções
aDe assume a coluna Skate e conta pra galera a história do skate e sua evolução.

Ainda não se sabe exatamente quando apareceu o skate, mas podemos dizer que foi no princípio dos anos 60, mais precisamente na Califórnia, Estados Unidos. No auge do rock’n roll, os surfistas da época inventaram uma brincadeira para os dias em que o mar estava sem ondas. Juntando as rodas de seus patins e colocando-as em “shapes”, para que assim pudessem surfar em terra firme, estava sendo criado o skate.
Os primeiros skates eram muito primitivos, não possuíam nose nem tail, eram apenas uma tábua e quatro rodinhas. O crescimento do “surf no asfalto” se deu de uma maneira tão grande que muitos dos jovens da época se renderam ao novo esporte chamado skate. Surgiam então os primeiros skatistas da época.
Apesar da precariedade do equipamento, o esporte fez a cabeça dos jovens, que logo se tornariam os primeiros skatistas. No ano de 1965 foram fabricados os primeiros skates, juntamente com a organização dos primeiros campeonatos.
Era uma época em que o freestyle dominava, os skatistas usavam e abusavam deste tipo de manobra. No ano de 1965 se comercializaram os primeiros skates fabricados industrialmente e começaram as primeiras competições. Esse esporte então teve seu auge em meados dos anos 70, quando ocorreu um fato que chocou a maior parte de todos os skatistas: a revista “Skateboarder”, uma das mais importantes sobre o assunto, anunciou a sua mudança de planos, agora cobrindo assuntos sobre competições de bikers.
Foi quando se deu a “morte” do skate. Muitas pistas fecharam, e muitos abandonaram o esporte, apenas ficando os que realmente gostavam. Esses skatistas — que perderam suas pistas, suas revistas e tudo o que era a respeito deles — lançaram-se a andar nas ruas, usando tudo o que achavam no cotidiano como obstáculo. Daí se deu o street skate.
Lá pelos anos 70 houve o racionamento de água nos EUA, e muitas pessoas tiveram que esvaziar suas piscinas. Foi aí que os skatistas perceberam que essas piscinas vazias poderiam ser ótimos obstáculos. Surgia assim o “skate vertical”.
Nos anos 80 o skate volta ao seu auge, com a inovação dos skates e a utilização das pistas em “U” — os half pipes. O skate retorna às suas origens, com muitos adeptos, e com o aparecimento de vários nomes do skateboard mundial: Steve Caballero, Tony Alva, Tom Sims, entre outros, que contribuíram e muito para o progresso do skate.
No final dos anos 80 surgiu um garoto que, com apenas 12 anos, mandava flips muito altos na rampa. Um garoto magro e com um estilo muito técnico e, mesmo com pouca idade, já deixava os velhões de queixo caído. Seu nome: Tony Hawk.
Outro fator muito importante para o skate da época foi o vídeo da Bones Brigade, em que Steve Caballero teve um papel bastante forte. A partir daí, o skate nunca mais decaiu.
Nos anos 90 o skate atingiu seu auge, com muitos adeptos, produtos e campeonatos que incentivam bastante as jovens crianças e até os velhos dos anos 90. E assim o skate vai levando suas origens até o futuro, se desenvolvendo cada vez mais, superando todas as barreiras de preconceitos impostas sobre seus praticantes, e assim vamos levando o skate, que nunca morrerá.
Brasil
O skate ainda é pouco divulgado no Brasil, apesar de possuir grandes skatistas. No país, o esporte já teve seus altos e baixos. O primeiro pico foi na década de 80, quando havia revistas, vídeos e até álbum de figurinhas. Depois, no final desta década e no começo dos anos 90, essa febre foi abaixando, talvez pela falta de patrocínio, divulgação e marcas.
A divulgação com a chegada da TV a cabo e de canais de esportes está trazendo o skate de volta à cena. Mas não é apenas o retorno à mídia que está fazendo o skate voltar ao palco, é a qualidade do skate atual. Na década de 80 não havia tantas técnicas e manobras como hoje, tanto porque a configuração do skate era outra: shape largo sem nose, rodas grandes e trucks pesados. Apesar disso, o freestyle rolava forte naqueles tempos.
Hoje em dia, o esquema é outro: o shape é estreito (normalmente 7.5), as rodas são menores e os trucks bem leves, facilitando assim as manobras de street.
Como o nosso site X Rock Brasil voltou com força total, e faz tempo que algumas pessoas prometeram algumas matérias para o nosso amigo Gian e até agora nada, eu estou dando uma força para o nosso amigo. Já que, mesmo eu apenas escrevendo na coluna BMX, estou assumindo a coluna Skate também para que o site X Rock evolua mais e mais, e com a aprovação da galera, para assim eu poder adicionar mais matérias.
Abraços a todos.

