Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
A gente tenta defender a classe, tenta abrir espaço, mas tem hora que o “fogo amigo” desanima. Poucas semanas atrás, eu soltei o verbo aqui contra os donos de casas de shows que fecham as portas para as bandas autorais, preferindo o lucro fácil dos covers. Mas hoje, o puxão de orelha vai para o outro lado da trincheira.
Apareceu uma banda autoral por aí com um post que me embrulhou o estômago. Os bonitões resolveram dizer que “quem faz cover não é músico”, que apenas repetem sons e gestos e que não merecem os aplausos que recebem.
Pára tudo! Que arrogância é essa, mermão?
Isso é um ataque gratuito e sem sentido. O músico que toca cover é tão artista quanto o que escreve a própria letra. O cara está lá estudando o timbre, a técnica, a performance e, muitas vezes, é quem mantém a chama do rock viva nos bares da região. Eu mesmo não abro mão de encostar num barzinho no fim de semana para ouvir uma banda cover honesta mandando os clássicos.
O autoral precisa de espaço? Com certeza! Mas ele não vai ganhar esse espaço diminuindo o colega de profissão. Valorizar o seu trabalho não exige desmerecer o suor do vizinho. No fim do dia, estamos todos no mesmo barco tentando não deixar a guitarra morrer. Menos ego e mais som, por favor!
Aaah Mulheke!!! Agora, mudando de assunto, vamos falar de quem acha que o Rock é um figurino que você compra na vitrine.
Um tal MC por aí (que eu nem vou dar o palco de citar o nome) botou na cabeça que tinha virado o novo Jimi Hendrix ou Kurt Cobain. No meio do show, o sujeito resolveu “encarnar” o espírito do rock e decidiu quebrar a guitarra no palco.
Aaah Mulheke… que cena patética! O cara bateu a guitarra contra o chão uma, duas, três vezes… e nada. A guitarra, firme e forte, parecia rir da cara dele. No fim, frustrado porque não tem força nem técnica nem pra ser vândalo, ele simplesmente arremessou a bicha inteira, intacta, pro canto do palco.
Fica o aprendizado: Rock é atitude, não é teatro de quinta categoria. Se você não tem o “borogodó”, se não sente a distorção na alma, você não consegue quebrar nem uma corda, quanto mais uma guitarra. Não adianta imitar o gesto se você não entende o porquê dele existir. O rock expulsa o corpo estranho, e dessa vez, a guitarra expulsou o MC.
Quer ser estrela do rock? Começa aprendendo a respeitar o instrumento. Quebrar guitarra é para quem já deu o sangue por ela, não para quem quer apenas um “take” bonito pro Instagram.
Aaah Mulheke!!!

