Aaah Mulheke!!! A NOITE QUE O ÓLEO SECOU E O ROCK DE VITRINE

Por Tio do Coturno

Aaah Mulheke!!!

Hoje a coluna começa com o coração apertado e os ouvidos atentos. Eu estava aqui processando o último episódio do Podcast da X Rock Brasil — aliás, se você não ouviu o papo do Gian Cruz e do Ande Miranda com o Rodolfo, guitarrista da Banda Malaki, para tudo e vai lá ouvir — e as palavras dos caras ficaram ecoando na minha cabeça feito um solo de guitarra num galpão vazio.

O Rodolfo soltou um desabafo que eu já bati na tecla aqui, mas que vindo de quem está ali no front, sangrando nos palcos do litoral, ganha um peso diferente.

O Rodolfo comentou algo que é uma verdade dolorida: você anda pela cidade e vê uma galera com o “kit rockeiro” completo. Camisa de banda cara, cabelo colorido, coturno brilhando, atitude de sobra no Instagram. Mas aí você chega no show — e ele deixou claro que não falava só da Malaki, mas do circuito como um todo, já que ele é um cara que faz questão de prestigiar os colegas — e cadê essa galera?

Sumiu. Escafedeu-se. Parece que o rock virou fantasia de Carnaval. O cara quer a estética, quer a “vibe”, mas não quer o suor, não quer o barulho na orelha, não quer apoiar a banda que está ali do lado de casa. É o “rockeiro de vitrine”. Ter a estampa do Iron Maiden no peito é fácil; difícil é ter o desprendimento de sair do sofá e dar o braço a torcer para quem está tentando manter a chama acesa hoje.

Aaah Mulheke!!! E por falar em chama que se apaga, hoje o mundo ficou mais silencioso. Conforme noticiado pela nossa X Rock Brasil, perdemos Rob Hirst, baterista e fundador do Midnight Oil. O cara era o motor, a fúria e a batida política de uma das bandas mais íntegras da história.

Lá no podcast, o Gian, o Ande e o Rodolfo lamentaram que os nossos ídolos, aqueles que nos ensinaram a amar o barulho, estão partindo. E a pergunta que fica no ar é amarga: onde está a nova safra?

A gente vê músicos excelentes chegando, técnica de sobra, equipamentos de primeira… mas cadê os novos ícones? Cadê os novos Chorões, os novos Ozzys, os novos Kurts?

Aaah Mulheke!!! Talvez a resposta seja mais simples (e mais triste) do que a gente imagina. Talvez o próximo gênio do rock esteja agora mesmo tocando para três pessoas e quatro cadeiras num barzinho perto da sua casa. Talvez ele tenha uma p*ta atitude, letras que mudariam a sua vida e um riff que não sai da cabeça.

Mas a nossa preguiça, a nossa falta de atitude de “não prestigiar o que é daqui”, está matando esse cara. Ele trabalha em jornada dupla, carrega amplificador nas costas, gasta o que não tem com cordas e ensaio… e quando chega no palco, vê um salão vazio porque o “fã de rock” preferiu ficar em casa assistindo série ou postando foto com camisa vintage.

Uma hora esse cara cansa. Ele encosta a guitarra, fecha o violão num quarto escuro e vai viver uma vida “comum”. E aí a gente vai continuar reclamando que “o rock morreu” ou que “não tem mais banda boa”.

O rock não morre, ele é assassinado pela nossa omissão. Quer um novo ídolo? Seja um novo fã. Saia de casa. Vá ao show. Prestigie quem está começando. O rock é para quem merece, e para merecer, você tem que estar lá quando o primeiro acorde soar.

Aaah Mulheke!!!

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