Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
Chegou aquela época do ano em que o país para, mas o barulho só aumenta. O Carnaval está aí, e com ele, vem aquela velha discussão que parece nunca perder a validade: o limite entre a diversão e o desrespeito.
Não me entendam mal, eu sou a favor de toda forma de manifestação cultural, mas o que a gente vê nas ruas hoje em dia não é festa, é uma invasão. É um salve-se quem puder onde o direito do outro de ter paz simplesmente é jogado no lixo.
O que mais incomoda o Tio aqui é que o desrespeito tomou conta de tal forma que a gente não tem sossego nem dentro de casa. Você tenta colocar um disco pra ouvir, tenta fazer sua leitura ou simplesmente quer descansar, mas o “pancadão” do vizinho ou o bloco que passa sem hora pra acabar não deixa.
Parece que virou pecado querer silêncio ou querer ouvir algo que não seja o que está “na moda”. O desrespeito com o espaço alheio, a sujeira deixada nas ruas e a falta de educação básica transformaram o feriado em um desafio de sobrevivência para quem não é da folia tradicional.
Aaah Mulheke!!! Mas nem tudo é tragédia, molecada! Para a nossa tribo, a salvação tem nome: CarnaRocks.
Essa é uma saída excelente para diversificar e mostrar que existe vida inteligente (e barulhenta do jeito certo) durante o Carnaval. É cada vez mais comum vermos bares e festivais organizando programações inteiras voltadas para o Rock e o Metal nessa época. É o lugar onde a gente troca o confete pela palheta e o “abre alas” pelo mosh pit.
É gratificante ver que o nosso estilo consegue criar espaços de resistência, onde o foco é a música de qualidade e a irmandade, longe daquela confusão generalizada das grandes avenidas.
O problema é que, mesmo com essas opções maravilhosas, aproveitar o feriado se tornou um exercício de paciência. É um desafio chegar ao local do evento, é um desafio estacionar, e é um desafio maior ainda voltar para casa e conseguir relaxar.
A sensação é de que estamos sempre em “estado de alerta” porque a paz virou um artigo de luxo. A gente quer prestigiar os músicos, quer ver a cena autoral ou cover da região se fortalecendo nos palcos do CarnaRocks, mas a falta de ordem nas ruas desanima até o mais fervoroso dos batedores de cabeça.
Fica o recado: diversão sem respeito é apenas barulho. Que a gente consiga encontrar nossos refúgios de distorção e que, acima de tudo, o respeito volte a ser o mestre-sala dessa festa, porque ninguém merece ter o sossego invadido, seja por qual ritmo for.
Aaah Mulheke!!!

