Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
O que a gente viveu (e viu) nos últimos dias foi algo para entrar nos livros de história do metal nacional. O Bangers Open Air 2026 entregou tudo o que prometeu, mas o brilho maior, aquele que fez o suor escorrer pelo rosto e o coração bater no ritmo do bumbo duplo, foi o Angra Reunion.
Que apresentação magnífica! Ver essa reunião no palco, celebrando o legado de uma das maiores bandas do planeta, foi de arrepiar. O Memorial da América Latina tremeu com a técnica, o peso e a emoção que só esses caras conseguem passar. Foi um momento memorável que lavou a alma de quem respira o metal brasileiro.
Mas aí, como o Rock nunca tem vida fácil, entra em cena a nossa “querida” grande mídia. É impressionante a capacidade que uma certa emissora de TV tem de ser seletiva.
Durante o ano todo, eles fazem matérias lindas, com trilha sonora emocionante, defendendo os bailes funk de rua. Dizem que é “cultura da periferia”, que é “resistência”, mesmo que o som alto e o fluxo incomodem milhares de moradores trabalhadores todas as semanas, varando a madrugada. Aí, quando o assunto é o funk, o barulho é “expressão cultural”.
Mas basta o Rock montar um palco por dois ou três dias num espaço destinado a eventos, como o Memorial, para a narrativa mudar. De repente, o Rock virou uma “grave ameaça de vida”. Começaram a pipocar reportagens com vizinhos reclamando que o festival era um absurdo, citando crianças e animais de estimação como se estivéssemos em meio a uma guerra.
Agora, a cereja do bolo, o momento “Aaah Mulheke!!!” de vergonha alheia, foi o depoimento de um dos entrevistados. O cidadão, com uma cara de sofrimento que parecia estar carregando o mundo nas costas, explicou que o som do Bangers estava tão alto que “o lustre do banheiro balançava”.
Pára tudo! Um lustre no banheiro? Mermão, quem é que tem um lustre no banheiro? A que ponto chegou o nível de “problemas de primeiro mundo” dessa galera? O cara mora em frente a um centro cultural, no coração de São Paulo, e quer silêncio absoluto de biblioteca?
Enquanto a periferia aguenta parede tremendo com paredão de som todo santo domingo sem ter a quem recorrer, o “barão” da Barra Funda vai pra TV reclamar que o cristal do banheiro dele deu uma vibrada com o solo do Kiko Loureiro. É de uma hipocrisia que não cabe no mapa.
O Rock é cultura, gera emprego, traz turismo e, acima de tudo, educa. Se o seu lustre balançou, aproveita o ritmo e bate cabeça também! Porque o Angra Reunion foi épico, e o choro é livre (e de preferência, à luz de velas, já que o lustre incomoda tanto).
Aaah Mulheke!!!

