Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
Eu tento passar uma semana sem me indignar com o ser humano, mas a internet não deixa. Essa semana eu vi uns vídeos circulando por aí de um bairro de uma certa cidade brasileira que me fizeram dar um nó na cabeça. O cenário é o seguinte: a região tem várias casas de repouso de idosos, e os moradores vizinhos — que juram de pé junto que ainda são jovens e descolados — resolveram abrir guerra contra a terceira idade.
As reclamações chegam a um nível de absurdo que beira o inacreditável. Os caras estão se queixando do movimento de ambulâncias e carros de atendimento médico na rua. E pior: reclamam do “desgaste emocional” de se depararem com carros funerários quando, infelizmente, um dos velhinhos falece.
O ápice do ridículo (para não dizer trágico) é um vídeo em que um cidadão filma o carro funerário parado na rua, soltando os cachorros na vizinhança. O detalhe anatômico maravilhoso? O sujeito que está gravando e se achando o garotão da rua já está com os cabelos branquinhos!
Aaah Mulheke!!! O espelho na casa desse cara deve ser de brinquedo. Ele ignora o fato matemático de que, em pouquíssimo tempo, vai fazer parte exatamente do mesmo grupo de idosos que hoje ele enxerga como um estorvo.
Aí aparece outra moradora na reportagem dizendo: “Ah, mas nós não somos insensíveis por reclamar”. Sei… Está tentando convencer a quem, minha senhora? A quem está assistindo ou a si mesma, só para garantir aquela vaguinha no céu fingindo que é uma boa pessoa? A verdade nua e crua é aquela velha máxima da hipocrisia moderna: “Eu sou super sensível à dor do próximo, contanto que ela fique bem longe dos meus olhos e da minha calçada”.
Mas sabe o que é o mais genial e o que realmente me chamou a atenção no meio de toda essa bizarrice? Para tentar “dar o troco” e incomodar os idosos da casa de repouso, os vizinhos resolveram colocar caixas de som no talo, viradas direto para as janelas dos velhinhos, tocando AC/DC no volume máximo.
Aaah Mulheke!!! Que tiro no pé cinematográfico! Essa galera “jovem” de cabelo branco é tão tapada que não percebeu o óbvio: essa geração de idosos que hoje está lá descansando é a mesmíssima geração que pegou o nascimento, o auge e as melhores fases do nosso bom e velho rock n’ roll! Eles viram a história acontecer.
Enquanto o vizinho mala acha que está aplicando um castigo cruel, os velhinhos devem estar lá dentro batendo o pé no ritmo da bateria, curtindo o som e lembrando dos tempos de ouro em que eles saíam para aproveitar a vida de verdade, em vez de ficarem na janela cuidando da morte alheia. O rock cura, mermão, ele não castiga! Obrigado pelo show gratuito!
Aaah Mulheke!!!

