Por Lorena
Eu achava que o mundo não era pra mim. Que eu nem deveria estar aqui, saca? Era o que o silêncio ao meu redor me dizia. Minha salvação não veio de livros de autoajuda, veio de filmes de ação B que passavam na TV. Eu não via a história, eu via os dublês. Via aqueles caras correndo, saltando de um prédio pro outro, transformando a cidade inteira num playground. Aquilo me deixava maluca. Era uma linguagem que eu entendia sem precisar de palavras.
O Parkour não é sobre pular de lugar alto pra aparecer no YouTube. Essa é a parte que a mídia vende. A essência é outra. É sobre olhar pra um muro e não ver um obstáculo, mas um caminho. É olhar pra uma grade e ver um ponto de apoio. É reprogramar seu cérebro pra entender que o caminho mais curto entre dois pontos não é uma linha reta, mas uma linha de flow. É a arte de se mover, de ser útil, de ser forte pra ser útil.
A primeira coisa que você realmente aprende não é um salto mortal. É o rolamento. Aquele movimento que parece simples, mas que salva seus joelhos, suas costas, sua vida. O rolamento é a lição mais importante: você precisa aprender a cair pra poder se levantar de novo, e de novo, e de novo. É o símbolo máximo de humildade e respeito pelo seu próprio corpo. É a disciplina que, apesar de tudo que me cercou na vida, me fez manter a cabeça no lugar e a limpeza do meu sangue.
Pra mim, a trilha sonora desse movimento sempre foi o rock. Um hardcore rápido pra dar o gás numa corrida, um riff pesado pra dar o impacto mental antes de um salto de precisão. O Parkour me deu um corpo forte, mas foi o rock que me deu a atitude pra usá-lo. Me ensinou que a energia pra superar qualquer merXda vem de dentro.
O mundo não era pra mim? PXrra nenhuma. O mundo é meu. Eu só precisei aprender a me mover nele.
Seu corpo é seu instrumento. A cidade é seu palco. Qual vai ser o seu primeiro acorde?

