por Riffa
Fiquei daqui de Itanhaém, com o barulho do mar no fundo, grudada na tela vendo o concreto ferver em Curitiba. E que paulada. A gente que anda na rua, que se vira com o que tem, às vezes olha pra esses campeonatos gigantes e pensa: “isso é outro mundo”. Mas o que rolou no STU nesse finde foi um lembrete. O skate é um só.
Primeiro, vamos falar daquele público. Três mil pessoas gritando, arquibancada lotada e, o mais foda de tudo, 3,5 toneladas de comida arrecadada. Isso é a nossa cena. É mais que manobra, é comunidade. É saber que o mesmo carrinho que serve pra gente se expressar, serve pra botar comida na mesa de alguém. Isso tem um valor que troféu nenhum consegue medir.
E a pressão? Ver o Akio, o “Japinha”, levar o Park em casa, na última volta… isso é roteiro de filme. É o solo de guitarra no final da música que arrepia até a alma. É o momento em que o corpo e a mente se alinham e o impossível acontece. A torcida empurrando, a responsa de ser o cara local… e ele foi lá e fez. Isso mostra que, não importa o tamanho do evento, no final é só você, sua prancha e a sua cabeça.
E o que falar da Helena Laurino, com 13 anos, e da Duda Ribeiro, com 15, levando o título? O recado tá dado: o futuro não tá batendo na porta, ele já arrombou ela e tá dropando a rampa. Ver essas minas dominando, com técnica e atitude de veterana, me dá um gás absurdo. É a prova de que todo aquele esforço de quem veio antes, de quem andava sozinha nos picos, valeu a pena pra caramba.
O STU em Curitiba não foi só um campeonato. Foi a celebração do que o skate brasileiro se tornou. Uma potência. O que a gente vê ali, naquele palco gigante, é o resultado do que acontece todo dia, em cada esquina, em cada pista improvisada desse país. O que eles fizeram na TV é o combustível pro nosso rolê na rua amanhã.
Agora chega de papo. Bora pra lixa.

