por Adenilson
Essa semana, meus olhos e os olhos de todo mundo que ama uma bike de aro 20 estavam virados pra Copenhague. Pro Campeonato Mundial de BMX Racing. Eu sei, eu sei. Eu sou o cara da rua, do freestyle, do corrimão. Corrida não é a minha praia. Mas se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que BMX é uma família só, com sobrenomes diferentes. E o que rolou na Dinamarca foi coisa de outro planeta.
Ver aqueles pilotos alinhados no gate, com uma concentração que parece que o mundo vai acabar, é uma lição. A gente, do freestyle, busca a manobra perfeita. Eles buscam a linha perfeita. O menor erro, a menor hesitação, e já era. É uma explosão de força de oito segundos que define anos de treino. É uma brutalidade, uma precisão que a gente tem que respeitar pra c*ralho.
A gente não pode esquecer que foi ali, naquelas pistas de terra, que tudo começou. O Racing é o pai de tudo. Foi a corrida que fez a gente querer pular mais alto, ir mais rápido. O nosso wallride na parede da praça é primo distante daquela curva inclinada que eles fazem a mil por hora. A nossa busca pelo equilíbrio no manual é a mesma busca que eles têm pra passar por uma seção de rollers sem perder um milésimo de segundo.
É fácil a gente se fechar na nossa bolha, no nosso “clã”. Freestyle pra um lado, racing pro outro, flatland em outro canto. Mas no fundo, a gente comparte a mesma paixão. O mesmo guidão, os mesmos dois pedais. O mesmo coração que acelera quando a gente supera um limite. Ver o mundial, ver a dedicação daqueles atletas, me deu um gás do c*cete. Me lembrou por que eu comecei a andar nessa merXda há tantos anos.
Seja numa pista de terra na Dinamarca ou num estacionamento abandonado aqui no Brasil, o espírito é o mesmo. É sobre empurrar o limite. Sobre a conexão perfeita entre homem e máquina. E isso, meu amigo, é a coisa mais bonita que existe.
No fim, é cair, levantar, repetir… e mandar um tailwhip no sistema.

