por Adenilson
Sabe aquele seu pedal que já perdeu metade dos cravos? Aquele que tá todo comido nas pontas de tanto bater no corrimão? O meu pedal direito é assim. Outro dia um moleque me olhou e falou: “Tio, por que você não troca essa peça aí?”. Eu só ri. Ele não entendeu. Aquilo ali não é um pedal velho. Aquilo é o meu diário.
A gente vive numa era de bike perfeita, de peça nova brilhando na caixa. E não tem nada de errado em querer o melhor pro seu rolê. Mas a gente esqueceu o valor das cicatrizes. Um guidão arranhado não é feio, ele conta a história daquele dia que você tentou o bar-spin pela primeira vez e ele voou longe. Aquele banco com um rasguinho na lateral é a prova daquele tailwhip que você errou por pouco. Não é desleixo, pXrra. É UMA MEDALHA.
E o que vale pra bike, vale pra gente. Meu dedo mindinho da mão esquerda é torto até hoje por causa de um tombo idiota há uns 15 anos. Meu joelho estala quando o tempo vai virar. Tenho uma cicatriz na canela que parece o mapa de um rio. Cada marca dessas é um capítulo. É a memória de um pico que nem existe mais, de um amigo que se mudou, de uma tarde inteira tentando acertar uma única manobra enquanto o sol se punha.
Hoje a galera filma tudo, e que bom que filma. Mas a nossa geração gravava o rolê na própria pele. O seu corpo era o seu cartão de memória. As peças da sua bike eram os troféus que você carregava todo dia. Ter uma bike impecável é fácil. Ter uma bike com história, que andou junto com você, que sangrou junto com você… isso é para poucos. Isso é o que separa quem anda de bike de quem vive o BMX.
No fim, é cair, levantar, repetir… e mandar um tailwhip no sistema.
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