por Lorena
Quem olha de fora vê a gente e pensa em loucura. Em risco. Em um desafio constante à morte. E, de certa forma, eles não estão errados. A gente flerta com o limite o tempo todo. Mas o que eles não entendem é a diferença fundamental entre o caos e a liberdade. E essa diferença se chama disciplina.
Muita gente acha que “praticar com segurança” é o oposto da essência do Parkour. Que é colocar regra onde não deveria ter. É o papo do “careta”. Pura ignorância. Segurança no nosso mundo não é sobre não fazer o salto. É sobre conquistar o direito de fazer o salto.
Seu corpo é o único equipamento que você tem. É o seu instrumento. Um guitarrista não quebra a guitarra dele antes de subir no palco. Ele afina, ele cuida, ele respeita. Por que a gente faria diferente com nosso corpo? Treinar com segurança é isso. É a repetição chata, as centenas de saltos de precisão no chão antes de tentar na altura. É o fortalecimento que ninguém vê. É a humildade de saber que hoje, aquele muro ainda é maior que você. E tá tudo bem. Você volta amanhã.
É a diferença entre uma banda de garagem que só faz barulho e uma banda como o Rage Against the Machine. Os dois têm raiva, os dois têm peso. Mas um é só caos destrutivo. O outro é poder sob controle absoluto. Cada nota, cada batida, tá exatamente onde deveria estar. Isso é o que a gente busca. O caos controlado. A explosão precisa.
“Ser forte para ser útil”. Essa é a base de tudo. E um corpo quebrado não é útil pra ninguém, muito menos pra você mesmo. Segurança não é sobre ter medo. É sobre ter respeito. Respeito pelo seu corpo, respeito pelo obstáculo e respeito pela arte que a gente pratica. É o que te permite treinar amanhã, e no ano que vem, e na década que vem.
A liberdade de verdade não é se jogar no abismo. É construir a ponte para atravessá-lo.

