Se a história do rock fosse um livro, a semana entre 10 e 16 de agosto seria um capítulo frenético, onde cada página virada revela um evento sísmico. Do nascimento dos artesãos que construíram as ferramentas do rock à maior festa de todos os tempos e, tragicamente, à morte do homem que deu o pontapé inicial em tudo, esta semana concentra momentos que definiram o som que amamos hoje.
10 de agosto:Nasce o Arquiteto das Guitarras
Neste dia, em 1909, nascia Leo Fender. Sem ele, não haveria Telecaster nem Stratocaster. Não haveria Hendrix, Clapton ou Gilmour como os conhecemos. Fender não foi um rockstar, mas foi o arquiteto que construiu as armas que os rockstars usariam para conquistar o mundo.
No mesmo dia, em 1984, o Red Hot Chili Peppers lançava seu álbum de estreia, começando sua jornada para se tornar uma das bandas mais influentes do rock alternativo.
11 de agosto: O Último Voo do Zepelin em Casa
Um dia melancólico para a história do rock britânico. Em 1979, o Led Zeppelin fazia sua última apresentação no Reino Unido com a formação original, no Knebworth Festival. Mais de 200.000 fãs testemunharam, sem saber, a despedida de John Bonham de sua terra natal.
Anos antes, em 1966, John Lennon pedia desculpas por sua polêmica declaração de que os Beatles eram “mais populares que Jesus”, um evento que mostrou o poder e o perigo da fama da banda.
12 de agosto: O Big Bang de Duas Eras do Metal
Um dos dias mais importantes na história da música pesada. Em 1968, Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham tocaram juntos pela primeira vez. A química foi tão instantânea que ali, naquele ensaio, nascia o Led Zeppelin.
Exatamente 23 anos depois, em 1991, o Metallica lançava o “Black Album”, o monstro sonoro que os transformaria na maior banda do planeta. Um único dia, o nascimento de dois gigantes.
13 de agosto: O Hino do Sul e a Lama de uma Geração
Neste dia, em 1973, o Lynyrd Skynyrd lançava seu álbum de estreia, “(Pronounced ‘Lĕh-‘nérd ‘Skin-‘nérd)”, e com ele, o solo de guitarra mais famoso da história: o hino imortal “Free Bird”.
Anos depois, em 1994, começava o Woodstock ’94, apelidado de “Mudstock”, um festival que tentou recapturar a magia do original, mas que ficou marcado pela lama e por performances explosivas de bandas como Green Day e Nine Inch Nails.
14 de agosto: O Início de uma Jornada e o Fim de uma Amizade
Em 1974, a história do rock progressivo mudava para sempre: Neil Peart fazia sua estreia como baterista do Rush, em Pittsburgh. Sua chegada transformaria a banda em uma potência técnica e lírica.
Em um tom mais sombrio, no dia 14 de agosto de 1985, Michael Jackson comprava o catálogo dos Beatles, superando Paul McCartney e azedando para sempre a amizade entre os dois ícones.
15 de agosto: A Utopia de Paz, Amor e Música
Três dias. Mais de 400.000 pessoas. Uma fazenda em Bethel, Nova York. Neste dia, em 1969, começava o Woodstock Music & Art Fair. Mais que um festival, foi o ápice cultural de uma geração. O line-up era um sonho: Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who… Woodstock provou que, mesmo que por um breve fim de semana, a música podia, sim, unir o mundo.
No mesmo dia, em 1965, os Beatles faziam seu show histórico no Shea Stadium, o primeiro grande show de estádio da história.
16 de agosto: O Dia em que o Rock Morreu
É uma das datas mais trágicas da história da música. Neste dia, em 1977, o coração do rock parou de bater. Elvis Presley, o Rei, o homem que chocou o mundo ao rebolar na TV e deu início a tudo, foi encontrado morto em Graceland aos 42 anos. O choque foi global. A morte de Elvis foi o fim da primeira era do rock ‘n’ roll.
Tragicamente, no mesmo dia, em 1938, o lendário bluesman Robert Johnson também morria, aos 27 anos, deixando para trás a planta baixa para todo o rock que viria a seguir.
De artesãos que construíram as ferramentas a reis que foram coroados e depostos, esta semana é a prova de que o rock é feito de momentos de criação e destruição igualmente poderosos. E nós estaremos aqui na próxima semana para mais uma lição.

