O “Baú da X Rock” desta semana abre suas páginas para uma noite histórica em São Paulo. No dia 2 de dezembro de 2005, o Estádio do Pacaembu recebeu pela primeira vez a banda Pearl Jam, em uma apresentação que ficou marcada para sempre na memória dos fãs brasileiros.
Pearl Jam no Pacaembu
Por Erica Ornellas – Originalmente Publicada em 2 de dezembro de 2005
Confira a matéria completa sobre o show da banda Pearl Jam no Estádio do Pacaembu, em São Paulo – Brasil.
A primeira apresentação da banda de Seattle na cidade de São Paulo foi regada a uma chuvinha, como a “terra da garoa” não poderia deixar de oferecer. Mas a chuva não deteve os fãs, que já acampavam na fila desde a noite anterior, cantando músicas do Pearl Jam para espantar o frio e a ansiedade.
O local não oferecia banheiro até as 8h da manhã de sexta-feira, então os fãs usavam os banheiros internos — o que permitia dar uma espiadinha no palco e na montagem da estrutura.
Os portões se abriram às 14h para os membros do fã-clube oficial brasileiro e às 15h30 para as duas filas gerais. Foi muito espreme-espreme e corrida para garantir o melhor lugar. Como o gramado foi coberto com placas de madeira, o público pôde pular à vontade.
O estádio foi dividido com grades, deixando o meio livre para Eddie Vedder passear enquanto cantava a última música da apresentação, “Yellow Ledbetter”.
Banheiros foram montados em vários pontos, além de postos de saúde nos dois extremos do estádio, garantindo assistência à imensa multidão que só crescia.
Às 18h40, a banda Mudhoney subiu ao palco e esquentou a galera com cinco músicas próprias. Muitos já conheciam as letras dessa banda alternativa, ainda pouco famosa no Brasil.
Depois de muitos gritos e apelos da multidão, o Pearl Jam finalmente sobe ao palco, levando todos à loucura com “Go”. O tumulto era tanto que quase não dava para ver a banda. Depois de quase sermos pisoteados e de perder amigos no meio da confusão, Eddie pediu calma ao público: “Be cool”, disse ele.
Daí em diante, foram mais de duas horas de pura emoção com clássicos que todos queriam ouvir, sem falar nas frases em português que Eddie arriscava durante o show.
No grande final, a sequência arrebatadora com “Jeremy”, “Black” e “Yellow Ledbetter” — que Eddie terminou cantando em português: “Obrigado São Paulo”. Foi de arrepiar. Ninguém queria que acabasse, mas quando Matt jogou as baquetas e o guitarrista arremessou palhetas para a plateia, ficou claro que era o fim. Eddie quase jogou sua camisa xadrez, símbolo grunge, mas pensou melhor e, em vez disso, desceu até a galera para cantar nos corredores da pista. Inesquecível!
Eram 22h quando a saída começou, de forma calma. Uma corrente humana de seguranças se formou em frente ao palco para impedir invasões. Do lado de fora, a cavalaria da polícia estava posicionada. A Praça Charles Miller foi tomada por uma multidão, o trânsito ficou impossível e muitos fãs já estavam na fila para o show do dia seguinte, sábado, 3 de dezembro.
Foram duas horas para ficar para sempre na memória.


