No Baú da X Rock desta semana, voltamos a 19 de agosto de 2006, quando nosso colunista Adê escreveu uma das matérias mais marcantes sobre o universo do parkour. Esse resgate foi um pedido especial da nossa colunista Lorena, que na época ainda era criança e não teve a oportunidade de acompanhar as colunas dedicadas ao tema.
O texto original traz a essência do que era o parkour naquele momento: um movimento urbano em plena ascensão, que despertava olhares curiosos, críticas e também muita inspiração. Adê relatava não apenas as técnicas e a filosofia da prática, mas também a forma como os praticantes eram vistos pela sociedade — entre a estranheza e a admiração.
Essa volta ao passado mostra como o parkour era entendido há quase 20 anos: muito além de saltos e manobras, tratava-se de uma forma de expressão, liberdade e superação pessoal.
Resgatar essa coluna é uma oportunidade de revisitar não só o esporte, mas também o impacto cultural que ele causava no Brasil no meio dos anos 2000.
O Baú da X Rock segue abrindo suas portas para trazer histórias que marcaram gerações e que merecem ser lembradas. Confira o texto completo de 2006 e mergulhe nessa memória junto com a gente:
Introdução – Le Parkour
Introdução à Filosofia do Le Parkour
Le Parkour, também conhecido simplesmente como Parkour, é uma disciplina cujo principal objetivo não é ser “melhor” do que os outros, mas sim estar apto a ajudar os outros e superar obstáculos em situações emergenciais.
Fisicamente, o Parkour consiste em ultrapassar os obstáculos do caminho como se fosse uma fuga ou perseguição, passando por barreiras de forma natural e fluida, sem que nada consiga deter o praticante. A ideia é que cada movimento se integre ao corpo e ao ambiente. Além disso, onde quer que se vá, é preciso ser capaz de voltar.
O Parkour pode ser entendido como estar preparado para imprevistos, tornando os movimentos fluentes e eficientes.
Diferente do que muitos pensam, não é um esporte de pular prédios. O termo “Le Parkour”, em francês, significa “o percurso” e vem de Parcours du combattant (percurso de combate). Seu criador, David Belle, foi bombeiro em Paris, onde os bombeiros treinavam ginástica olímpica e o “Método Natural”, filosofia baseada em “ser forte para ser útil”.
O Esporte Completo
O Parkour é considerado um esporte completo porque exige o desenvolvimento de todas as capacidades físicas do corpo humano, além de absoluta concentração. É como um efeito 3D: avaliação de distância, capacidade e risco.
O movimento surgiu nos anos 1980, na França, com David Belle, que se dedicou ao desenvolvimento da prática a partir de 1997. Outro nome conhecido é Sebastien Foucan, criador do estilo “Freestyle”, que inclui giros e movimentos estéticos mais voltados ao espetáculo do que à utilidade.
Vale lembrar: o Parkour é treinado para si mesmo, não para impressionar os outros. Movimentos feitos sem preparo podem gerar quedas e acidentes graves. A evolução deve ser gradual e o maior adversário do praticante é o medo.
Os Riscos Físicos
O Parkour exige concentração e dedicação, pois movimentos mal executados podem causar machucados sérios ou até fatais. É uma prática em que o praticante está em constante luta consigo mesmo, e é justamente isso que a torna tão envolvente.
Como Praticar
É possível iniciar o treinamento observando vídeos e fotos na internet, mas isso só é indicado para quem já tem alguma base em artes marciais, rolamentos e absorção de impacto. Caso contrário, o ideal é procurar um grupo de treino em sua cidade ou região. Se não houver, é recomendável treinar com algum traceur (praticante de Parkour) mais experiente.
Por que se pratica Le Parkour?
Pratica-se Parkour para manter a saúde, desenvolver agilidade, aumentar a concentração e a resistência. Mas também se pratica pelo amor ao esporte e pela sensação de liberdade que ele proporciona.

