David Gilmour fecha a porta: “não há possibilidade” de reunir-se com Roger Waters — o que isso muda para o Pink Floyd

Em entrevista recente ao The Telegraph, David Gilmour foi taxativo: quando questionado sobre o que teria de acontecer para que ele subisse no mesmo palco que Roger Waters, respondeu sem rodeios — “nada. Não há possibilidade alguma de eu fazer isso.”

A declaração acendeu o sinal vermelho para fãs que alimentavam esperanças de uma reunião histórica. Jornalistas e veículos especializados já repercutiram as palavras de Gilmour, classificando o episódio como mais um capítulo da rixa de décadas entre os dois — uma discórdia que vem sendo construída desde a saída de Waters do grupo em 1985 e que segue sem sinais de trégua.

A discordância entre Gilmour e Waters não é novidade: após a saída de Waters em meados dos anos 80, as tensões artísticas e legais se tornaram públicas várias vezes — e, embora tenham subido juntos ao palco no histórico Live 8 (2005), desde então o relacionamento seguiu difícil. Waters, por sua vez, já afirmou em outras ocasiões não ver motivos para um retorno conjunto; o clima entre os dois permanece frágil.

Gilmour, hoje aos 79 anos, é visto não só como guitarra mas como uma das vozes musicais que definiram o som do Pink Floyd. A recusa pública sinaliza que qualquer sonho de ver a formação clássica reunida — mesmo que em formato pontual ou beneficente — está praticamente descartado enquanto houver essas diferenças públicas. A declaração também pesa porque vem na esteira de outras divergências recentes, incluindo posicionamentos políticos que ampliaram o distanciamento entre os dois.

Apesar do “não” definitivo de Gilmour a uma reunião com Waters, o guitarrista não descarta outras formas de manter o legado vivo. Em entrevistas recentes ele demonstrou abertura para formatos tecnológicos — como shows “avatar” ou residências em palcos imersivos (ex.: The Sphere) — onde a experiência visual e sonora permita revisitar o repertório sem o formato tradicional de reunião de banda. Isso aponta para um futuro em que o passado pode ser reeditado, sem necessariamente reconciliar velhas feridas.

Para quem sonhava em ver Waters e Gilmour dividindo o palco novamente, a fala do músico é um banho de água fria. Resta aos fãs celebrar o que já existe — reedições, documentários, remasterizações, o legado em vinil e streaming — e aceitar que algumas histórias do rock ficam mesmo como capítulos fechados. Em paralelo, a indústria busca novas maneiras de homenagear grandes catálogos (shows imersivos, relançamentos, experiências AV), caminhos que podem agradar à nostalgia sem exigir uma reconciliação impossível.

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