Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
Hoje o assunto começa com um misto de riso e vergonha alheia. Finalmente a justiça deu fim ao processo do “bebê da capa do Nevermind”, aquele mesmo que virou símbolo do grunge peladinho correndo atrás de uma nota de dólar. Demorou, mas acabou.
E sejamos sinceros, demorou foi muito pra resolver algo tão óbvio. O cara cresceu, aproveitou cada migalha da fama, pousou de novo pra recriar a foto, foi em evento, deu entrevista, colou em tudo que tinha Nirvana envolvido. E depois de anos mamando nessa teta, resolveu que aquilo era “exploração”. Me poupe.
O rock sempre teve figuras contraditórias, mas esse aí conseguiu a façanha de transformar um clássico da história em tentativa de indenização tardia. Um dia ícone, no outro, influencer do arrependimento.
Aaah Mulheke!!! Mas nem tudo é notícia pra passar raiva. No meio desse mar de absurdos, veio uma que até aquece o coração: o Rush tá de volta. E esse retorno é daquelas coisas que lembram que o rock ainda tem sangue pulsando. Ver uma banda clássica subir de novo no palco é mais do que nostalgia — é prova de que ainda existe público, ainda existe paixão, ainda existe gente que quer ouvir música de verdade e não refrão feito por IA pra viralizar em 15 segundos.
E aí eu me pergunto: será que o problema é o público? Ou é a mídia que insiste em empurrar modinha pra cima da molecada enquanto esconde as bandas novas que carregam a tocha acesa? Não sei. Mas o que eu sei é que tem uma garotada por aí, com guitarra na mão, tocando Rush, Zeppelin, Deep Purple, AC/DC, mesmo sem nunca ter visto esses monstros ao vivo. Crianças, moleques, meninas — pequenos guerreiros nadando contra a correnteza digital.
E quando vejo isso, me lembro por que ainda escrevo aqui: porque enquanto tiver um som pesado saindo de uma garagem e uma alma jovem acreditando nesse barulho, o rock não morreu coisa nenhuma.
Aaah Mulheke!!!

