Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
Tem época do ano que a gente já sabe: o Tribunal do Sofá vai se manifestar. E agora, o alvo da patrulha é o Halloween. É aquele discurso chato de sempre: “Não devemos comemorar porque é festa de paga-sapo de americano!”.
Primeiro, meu chapa, vai estudar! A festa não é americana. A galera confunde porque viu em série e filme, e o produto made in USA entrou na veia. Mas quer saber? Se você se confunde assim por causa do que consome, se o produto estrangeiro te atinge a ponto de você ter que soltar essa diarreia verbal de crítica, já tá na hora de aceitar: você já absorveu o produto americano mais do que diz. E o único que tá se enrolando aqui é você mesmo, tentando ser mais true que a própria história.
Aaah Mulheke!!! Estive num bar novo esses dias. Um pico que tá se esforçando para abrir as portas para o nosso bom e velho rock. O lugar é pequeno, tem seus pepinos estruturais, mas a banda tava lá, deixando o sangue no palco.
O problema? No meio da galera, tinha um grupo que se dizia rockeiro raiz. Em vez de curtir, saíram reclamando alto, fazendo cara feia e estragando a apresentação dos garotos.
Se tu é rockeiro raiz de verdade, tá na hora de lembrar : muitas das bandas que a gente usa a camiseta hoje em dia — os Iron, os Zeppelin, os Maiden — começaram tocando em calçadas, em garagens, com amplificador vagabundo, microfone estourado parecendo rádio fora da estação.
E foi nessa atitude, nesse som sujo e imperfeito , que o rock cresceu! Não foi com esses equipamentos caros de hoje e com tablet onde o cara controla até a respiração do vocalista. Se tu pensa assim, então assume: você pode até ser raiz no tempo que curte o som, mas em atitude não passa de um Nutella.
Respeite as bandas e as casas que abrem espaço para nós! O rock não está morrendo. Ele está sendo assassinado por atitudes como as desses caras.
Aaah Mulheke!!!

