Por Ande Miranda
E aí…
A verdade é que eu tinha medo.
As maquiagens eram algo inédito pra mim e eu não entendia o que eles falavam.
Mas, ainda com tudo isso, quando a agulha correu o vinil algo aconteceu.
A introdução de Detroit Rock City era confusa mas quando o Riff começava era impossível não ser abduzido por tudo aquilo.
Em alguns instantes aqueles caras mascarados na capa do Destroyer, de 1976 viraram os caras mais legais do mundo.
O disco “apareceu” na coleção do meu irmão. Não sei se era dele ou emprestado, mas, estava lá. Diferente de tudo o que eu já tinha visto.
Em algum lugar do quarto tinha um pôster também e eu não tinha nem 10 anos ainda.
Muito jovem pra entender a importância daquilo tudo mas, naquele instante, eu só queria ver o vinil girar e aumentar o volume.
As imagens nas revistas eram surreais. A guitarra dele solta fogo, fumaça, sei lá o que mais.
E assim, meio que sem querer, eu ia moldando o guitarrista que eu inevitavelmente seria, alguns anos mais tarde.
Sabemos que o tempo passa pra todo mundo, mas a real é que nenhum de nós está preparado para lidar com os efeitos dele. Nossa geração não está preparada para dar adeus a seus ídolos.
O que podemos fazer é seguir em frente.
Ace, obrigado por tanto.

