Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
A semana começou com aquele terremoto que faz as bases do Tribunal da Internet tremerem. A dança das cadeiras no metal está a todo vapor, e não é pouca coisa não. Do lado gringo, o Arch Enemy soltou a bomba da saída da Alissa White-Gluz. Do lado de cá, o Angra anunciou a troca de Fabio Lione pelo nosso prata da casa, Alírio Netto.
Já estou ouvindo o choro das viúvas. “Acabou a banda”, “Nunca mais vai ser o mesmo”, “Vendi meu ingresso”. Calma, torcedor! Respira.
E é aqui que eu tiro o chapéu para o metaleiro — sim, esse bicho chato e exigente. Porque se tem uma coisa que a nossa tribo sabe fazer, é sobreviver a trocas. O metal ensina uma lição valiosa que o pessoal do hardcore e do punk (principalmente a ala nutella) precisa aprender urgentemente.
No metal, a gente reclama, xinga no Twitter, mas no fim das contas, a gente entende que a banda é maior que o frontman. O Iron Maiden sobreviveu sem o Bruce, o Sabbath teve mais vocalista que time de futebol tem técnico, o AC/DC trocou de voz e continuou gigante. A gente dá a chance. A gente vai no show conferir.
Já em outros estilos… Aaah Mulheke, é vergonhoso. No hardcore ou no punk, muitas vezes basta o vocalista sair para a “fanbase” decretar o óbito da banda. Os caras abandonam o barco na hora. A banda continua lá, o batera tá lá, as cordas estão lá, os caras continuam suando sangue buscando seu espaço, mas o público simplesmente vira as costas, reduzindo o apoio a zero, como se o resto dos músicos fossem mobília de palco.
Isso não é ser fã, é ser groupie de vocalista. O metal segue forte porque a gente é fiel à instituição, ao logo, ao legado. Aprendam: vocalistas vão, a obra fica. Se o Angra trocou, se o Arch Enemy trocou, o verdadeiro fã vai estar lá na grade para ver o novo capítulo, e não chorando em casa abraçado com o disco antigo.
Aaah Mulheke!! Para fechar, o tom muda. O clima pesa. Perdemos Jimmy Cliff.
“Ah, Tio, mas não é rock”. Dane-se. O rock respeita quem tem alma, e Jimmy tinha de sobra. Ele foi a voz de quem precisava lutar, de quem tinha “muitos rios para atravessar”. Deixou um legado que não cabe em rótulo nenhum. A música perde um gigante, um pioneiro que ensinou o mundo a ouvir o som que vinha da Jamaica com respeito.
Que descanse em poder. E que a gente aprenda a valorizar os mestres enquanto eles estão aqui cantando, seja rock, reggae ou o que for. Música boa é eterna.
Aaah Mulheke!!!

