Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
Tem semana que eu juro que o único problema do mundo é a má qualidade do meu vinil. Aí eu abro a internet e dou de cara com a prova de que o ser humano consegue ser mais podre que um riff de death metal mal tocado. Estou falando dos comentários sobre o corpo da Fernanda Lira, frontwoman da Crypta.
Primeiro, o tipo de comentário: é maldade pura, a inveja destilada do anônimo de internet que não tem coragem nem de mostrar a própria cara. A pessoa não consegue criticar a música, que é de altíssima qualidade, então ataca o físico, a aparência. Que pXrra é essa?
Segundo, o completo despropósito. A Fernanda continua linda, tem um corpo que faz inveja em muita gente e é objeto de desejo de outros — com todo o devido respeito ao trabalho e à pessoa dela, claro. Se o seu maior problema é o físico de uma artista que está conquistando o mundo com o som dela, então o problema é a sua cabeça, não o peso dela! O rock sempre foi o território do feio, do esquisito, do que não se encaixa nos padrões. Se você quer modelo de capa, vá procurar revista de moda, não show de metal.
Aaah Mulheke!!! E é exatamente aí que a porca torce o rabo. A Crypta faz um PUTX sucesso no exterior. Elas estão em turnê, lotando casas, sendo aclamadas em veículos importantes, conquistando um espaço gigante na cena mundial do metal.
Mas por aqui? A galera continua sem dar o devido valor.
É o nosso costume nacional: buscar a banda de fora como se fosse ouro, sem enxergar o talento que está sendo produzido aqui. O Brasil é mestre em ignorar a própria riqueza, em só valorizar quando o artista precisa ser “descoberto” lá fora primeiro.
Enquanto você, rockeiro fantasma de sofá, perde tempo criticando o corpo de uma musicista, o gringo está pagando ingresso, comprando camiseta e acompanhando a Crypta durante as turnês. Eles valorizam o som, a atitude, o peso.
O sucesso da Crypta lá fora é o tapa na cara de muito purista nacional. É a prova de que o talento não precisa de passaporte estrangeiro para ser reconhecido, mas precisa de uma cena que o apoie de verdade, em vez de passar o dia patrulhando o peso alheio. Deixe um pouco de lado o som dos gringos e ouça o que está sendo produzido na sua garagem, seu Nutella!
Aaah Mulheke!!!

