Por Riffa
Meu irmão mais velho dizia que a melhor jam session é quando cada músico tenta ser mais alto que o outro, mas no fim, o som sai perfeito. O que rolou no Park Challenge, lá no bowl da Costeira em Floripa, foi exatamente isso.
Não foi um campeonato, foi uma batalha de bandas: Time Brasa contra Time Mundo.
Esquece aquela palhaçada de nota e juiz de gravata. O formato foi “mano a mano”, no puro “flow total”. Era mais uma sessão monstra entre amigos do que uma competição fria. Era sobre quem tinha mais atitude na lixa.
E atitude é o que não falta na Ilha.
O skate tem memória. O mais foda foi ver o Léo Caquinho ali, o cara que desenhou a pista e simplesmente deu o primeiro skate pro Pedro Barros. Isso é a nossa base, o nosso riff principal.
E falando em dono da casa, o João Bito é o “local hero” de verdade. O cara conhece cada centímetro daquele cimento e botou pra baixo como se não houvesse amanhã, com a pista inteira gritando por ele. Isso é pressão, e ele usou como combustível.
A vibe da sessão era clara: o Chris Russell parecia o punk rock do rolê. Sem equipamento, skate intuitivo, puro caos e estilo. Do nosso lado, a técnica absurda de caras como Luigi Cini e Gui Kury, que voam como se não tivessem peso.
A primeira fase foi nossa, 7 a 3. Parecia fácil.
Mas os gringos acordaram. Na fase de “estratégia”, eles vieram babando e viraram o jogo. O roteiro tava pronto pro drama: chegou no 10 a 10.
Tudo ou nada. A última batalha. O encore.
E quem sobe no palco? Os capitães. O nosso, Pedro Barros, contra o deles, Yuro Nagahara. O Pedro fez o que ele faz: entrou no bowl como se fosse o quintal de casa, dominou cada transição e cravou a vitória. O título ficou em casa.
Até o Japinha (Augusto Akio), mesmo machucado, tava lá na energia, fazendo malabares na beira da pista. Porque skate é isso: é estar junto.
Isso não foi sobre Olimpíada. Foi sobre comunidade.
Bota o fone. Aumenta o som. O Brasa tá no topo.
A rua é nossa.

