CORONA CERO DREAM TOUR – O DIA EM QUE O MAR FALOU BAIXO, MAS A HISTÓRIA GRITOU

por Sam

 

Sal na veia, galera.

Tem campeonato que se decide em onda grande, explosão e espuma na cara.
Mas o último dia do Dream Tour Floripa 2025 foi o contrário: o mar falou baixinho, pequenininho, quase tímido… e mesmo assim escreveu um dos dias mais pesados do surf brasileiro.

A Praia Mole acordou daquele jeito: sol querendo entrar, brisa fria e aquele mar ralo que obriga qualquer surfista a pensar mais do que agir. E foi assim, com o oceano segurando força, que a elite do Brasil teve que mostrar quem tinha cabeça e coração pra resolver campeonato grande no detalhe da espuma.

Tudo ao vivo lá no CBSurfPLAY, e eu colado, acompanhando cada remada.


Três caras chegaram vivos na briga:
Dodô Silva, Renan Pulga e Michael Rodrigues.

E logo no início, o mar fez aquele tipo de escolha que não tem volta:
Pulga eliminou Michael nas quartas.
A briga afunilou. Agora era só entre Pulga e Dodô, que estava na areia, igual aluno esperando boletim.

Enquanto isso, o campeonato seguia naquele estilo de mar pequeno que só valoriza quem sabe tirar leite de pedra.
Mateus Sena passou o dele.
Wesley Leite segurou pressão.
E aí veio a primeira lembrança de quem o Brasil é: Adriano de Souza, Mineirinho, provando mais uma vez que a idade não tira leitura, não tira raça, não tira vontade. Ele passou a sua também.

Mas o capítulo mais tenso estava reservado pras semifinais.
Pulga precisava ganhar pra continuar vivo pelo título.
E ganhou.
Tava escrito: ele e Mineirinho na final.

A equação era simples:
Se Pulga vencesse → campeão brasileiro.
Se perdesse → Dodô levava o caneco.

E aí… o mar decidiu.

Adriano botou 6.00, depois um 7.33, e quando o Mineirinho entende o mar, irmão…
Pode vir quem for, porque ele surfa com o peso de quem já viveu o impossível.

Pulga até tentou, mas não deu.
Adriano venceu a etapa e, naquele segundo,
Douglas “Dodô” Silva virou bicampeão brasileiro (2024 e 2025).

A Praia Mole vibrou.
E quem entende surf sabe que título assim é mais pesado do que qualquer mar gigante.


A história das meninas também merecia quadro na parede.

Laura Halp já tinha garantido o título brasileiro antes da final.
Invicta o ano inteiro.
Monstruosa.

Mas surf é mar — e mar não segue roteiro.

Nas semis, Tainá Inkel fez o improvável:
Quebrou a invencibilidade de Laura numa bateria de puro coração.
Derrubou a campeã do ano.

Do outro lado, Juliana dos Santos segurou sua vaga com categoria.

Final armada.

Juliana líder quase o tempo todo.
Tainá correndo atrás.
E no fim, virada.
Linda.
Daquelas que fazem até o comentarista ficar sem fôlego.

Tainá Inkel venceu Floripa com alma de quem não veio pra ser figurante — veio pra entrar pra história.


Campeões da etapa Floripa:
🏆 Feminino: Tainá Inkel
🏆 Masculino: Adriano de Souza

Campeões brasileiros 2025:
👑 Feminino: Laura Halp
👑 Masculino: Douglas “Dodô” Silva


No fim do dia, percebi algo simples:
O mar pode até estar pequeno, mas a grandeza tá em quem sabe competir sem perder o respeito pela água.

Hoje teve virada, teve título, teve lágrima, teve silêncio, teve barulho.
E Floripa mostrou, mais uma vez, que o surf brasileiro não precisa de onda gigante pra ser gigante.

Nos vemos na próxima, galera.
E lembra: quando o mar cochicha, é o surfista que precisa gritar.
Sal na veia. 🤙

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