por Sam
Sal na veia, galera.
O circo passou pelo Espírito Santo. Pela primeira vez, a caravana da WSL montou acampamento na Praia d’Ulé, em Guarapari. E vou te falar? Foi bonito de ver a mistura que rolou ali.
A gente costuma criticar muito o circo, a estrutura de metal, o banco azul e amarelo botando banner em tudo que é canto. Mas quando a buzina toca e a série entra, o marketing sai de cena e o que sobra é o surfe. E o que a gente viu na d’Ulé foi uma aula de como o nosso esporte respira: pelos pulmões da renovação, mas com o coração batendo forte na experiência.
A Praia d’Ulé não é brincadeira. É onda com pressão, é buraco. E foi ali que a gente viu que não existe essa guerra de “nós contra eles”. O que existe é evolução.
O potiguar Jadson André é um monstro sagrado. O cara estava há seis anos sem ganhar um evento da WSL. SEIS ANOS. Você tem noção da resiliência que precisa ter pra continuar acordando cedo, treinando e competindo em alto nível depois de tanto tempo?
Na final contra o Rodrigo Saldanha, o Jadson não ganhou só na manobra. Ele ganhou na leitura, na estratégia. Ele mostrou pra molecada que está chegando agora — e tem muita gente boa chegando — que o surfe de borda, o power surf, aquele que joga água pra cima com força, nunca vai sair de moda. É a base de tudo.
Ver o Jadson no topo do pódio de novo é inspirador pra qualquer um, seja o garoto do QS ou o tiozão do longboard. É a prova de que a paixão pelo esporte não tem prazo de validade.
E no feminino? Ah, meus amigos… A final foi um presente. De um lado, Silvana Lima, a nossa lenda, a mulher que abriu o mato no facão pra que as meninas de hoje pudessem ter um tour digno. Do outro, Laura Raupp, o foguete da nova geração.
A Laura levou o título? Levou. E mereceu demais. A menina tem uma linha agressiva, moderna, não tem medo de jogar a rabeta. Mas o mais bonito não foi a vitória em si, foi contra QUEM ela venceu.
Ter que passar pela Silvana pra levantar o caneco valoriza o título da Laura em outro nível. Ali não era uma disputa de rivais, era a passagem de bastão. A Silvana exigiu o melhor da Laura, e a Laura respondeu na água. É assim que o esporte cresce. A juventude traz a energia, a inovação, o aéreo; a velha guarda traz a malandragem, a leitura, a base.
Quando essas duas forças se encontram numa final, quem ganha é o surfe brasileiro.
O Espírito Santo no mapa
No fim das contas, foi irado ver o circuito saindo do eixo viciado de sempre e prestigiando o Espírito Santo. O Brasil é gigante, tem onda boa em todo lugar, e tem talento brotando em cada esquina.
Que fique a lição de Guarapari: o surfe é um ciclo contínuo. A molecada de hoje tá voando porque teve gente como Jadson e Silvana pavimentando a estrada. E ver eles competindo juntos, na mesma bateria, dividindo o mesmo pico, é o que faz isso tudo valer a pena.
O mar conecta todo mundo, irmão. Do grommet ao veterano.
Jadson, Silvana e Laura: obrigado pelo show de surfe.

