Aaah Mulheke!!! ENTRE O MOSH E O AMÉM: A CONFUSÃO DO CORDEIRO

Por Tio do Coturno

 

Aaah Mulheke!!!

O Tio do Coturno hoje acordou com vontade de falar sobre milagres… ou melhor, sobre as presepadas que a tecnologia apronta com a nossa tribo. Se você acha que sua vida está difícil, imagina a molecada lá da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, que achou que ia lavar a alma no mosh do Lamb of God e acabou em um banco de igreja.

Mermão, a história é surreal. O site StubHub, aquele de venda de ingressos, deu o maior vacilo da história recente do metal. Eles anunciaram um evento chamado “Behold the Lamb of God” (Eis o Cordeiro de Deus), que na verdade era um concerto cristão de Natal do músico Andrew Peterson, mas usaram as fotos da banda de groove metal Lamb of God!

Imagina o metaleiro, todo paramentado, coturno amarrado, camiseta do Ashes of the Wake, chegando no Spartanburg Memorial Auditorium esperando o bumbo duplo e os berros do Randy Blythe, e dando de cara com um coral natalino cantando sobre o advento de Jesus.

O próprio Randy Blythe acabou por zoar a situação e desejar “Feliz Natal, Spartanburg!”. Pelo menos o site prometeu devolver o dinheiro, mas o susto de esperar um mosh e receber uma benção de Natal ninguém apaga. O “Cordeiro” era outro, molecada!

Aaah Mulheke!!! E falando em palcos, o bicho está pegando aqui no Brasil também. O segundo assunto de hoje é o desabafo de vários músicos autorais que estão sendo chutados de casas de eventos.

O motivo? É de cair os cabelos que eu ainda tenho. Tem dono de bar e casa de show cancelando contrato na hora de assinar porque descobriu que a banda toca música própria. A desculpa é sempre a mesma: “Ah, mas banda cover dá mais retorno, o público só quer cantar o que já conhece”.

Isso é o fim da picada! Se a gente não der espaço para quem cria, para quem bota o dedo na ferida e escreve um riff novo, o rock vai virar um museu de cera infinito, uma jukebox humana que não sai do lugar.

O dono do estabelecimento que pensa assim não é um amante da música, é só um contador de moedas que está matando a própria cena que o sustenta. O Sepultura não nasceu tocando cover de Beatles no bar da esquina para sempre; eles precisaram de espaço para o som autoral deles ganhar o mundo.

Se você quer lucro fácil sem riscos, vai abrir uma franquia de sorvete. Rock é risco, é novidade, é a molecada suando para mostrar que tem algo a dizer. Vamos valorizar o autoral, senão daqui a pouco o “Tio do Coturno” vai ter que resenhar cover de “Evidências” em versão metal porque é o que “dá retorno”.

Fiquem espertos, chequem se o “Cordeiro” é o de metal e, pelo amor de Lemmy, ouçam as bandas autorais da sua cidade!

Aaah Mulheke!!!

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