Aaah Mulheke!!! O EX-FALADOR, A MÍDIA E O ALGORITMO EXPLOSIVO

Por Tio do Coturno

 

Aaah Mulheke!!!

Tem assunto que é igual zumbi em filme B: a gente acha que morreu, mas volta rastejando pra encher o saco. Essa semana voltou à pauta as falas de um sujeito que, durante um tempo, parecia sentir um prazer quase sexual em soltar frases provocativas só para ver o circo pegar fogo.

O cidadão, no auge da sua sabedoria de produtor de hit passageiro, resolveu decretar que o rock era “arrogante”. Disse que o estilo não fala mais com os jovens, que se isolou e que a gente precisava “entender” por que outros estilos funcionam na mídia enquanto as guitarras sumiram.

Pausa para a risada.

Meu chapa, se você acha que o problema do rock é a falta de espaço na mídia mainstream, você não entendeu absolutamente nada. O rock não busca espaço na novela das oito ou na dancinha do aplicativo vizinho. Se ele não entendeu isso, tá explicado por que o sucesso dele foi passageiro e por que ele precisou virar comentarista de polêmica para manter o nome em alta.

Rock é contracultura, é garagem, é suor. Como dizia o grande Adriano Falabella — e hoje é repetido com frequência pelo meu amigo Ande Miranda lá nas colunas da TamoTogether: “Rock n’ roll é para quem merece.” Não é para quem quer confete.

Aaah Mulheke!! Mas a pérola não parou aí. O sujeito teve a audácia, a pachorra, de dizer que “o cara que ouve Nirvana também escuta Pabllo Vittar”.

Com todo o respeito aos que gostam, mas só tenho uma frase a dizer: O KCT!

Olha, dizer que existem pessoas ecléticas que gostam de ambos? Beleza, não vou discordar, o mundo é vasto e tem gosto pra tudo. Eu respeito. Mas generalizar e tentar colocar isso como regra da nova geração? Aí forçou a amizade.

Eu fui fazer o teste. Tentei criar uma imagem aqui para ilustrar a coluna, joguei “Nirvana” e “Pabllo Vittar” na busca um seguido do outro e quase matei o algoritmo. O robô entrou em parafuso. Quando tentei adicionar Metallica e Anitta na mesma playlist então, meu celular esquentou tanto que achei que ia explodir na minha mão.

Piadas à parte, essa fala é velha, de alguns anos atrás, mas na época eu estava na minha hibernação e não pude mandar o recado. Hoje, agradeço a Deus (e aos deuses do metal) porque o cara que mencionamos aqui parece que finalmente acordou — ou cansou de passar vergonha — e está há alguns anos longe de soltar falas tão imbecis quanto essas.

O silêncio dele é música para os meus ouvidos. Quase tão bom quanto um solo de guitarra que nunca vai tocar na rádio pop dele.

Aaah Mulheke!!!

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