Bau da X Rock – Rock Concreto: “… mas você não trabalha?…” (2007)

Resgatamos a edição da coluna Rock Concreto de Abril de 2007, na qual Cimento (Ande Miranda) desabafa e explica a visão e as dificuldades de um músico para se manter no cenário musical.

Essa com certeza é a pergunta que mais pega na veia de um músico. Sim, porque hoje em dia — ou hoje em sempre — pensa-se num músico e se tem a “visão”: “rockeiro drogado cabeludo vagabundo”, assim sem vírgula mesmo. Estou abordando os “rockeiros” como o ícone da matéria, por motivos que ao longo da mesma vocês entenderão.

A discussão sobre os gêneros musicais, as vertentes do rock e da música em geral, desde sempre vem causando várias opiniões, o que é ótimo. Sim, porque há aqueles que vão à loja de CDs, compram o CD ou DVD do seu artista preferido e correm pra casa, loucos para degustar o novo prato, independente de serem músicos ou não.

Há aqueles que compram porque acham o vocalista lindo ou porque determinada música, dentre as 15 ou mais que ali estão, traz alguma lembrança. E, é claro, existem aqueles que compram pelo fato de que são músicos e simplesmente amam aquilo do primeiro ao último acorde, prestam atenção em tudo e sempre fica aquele pensamento: “um dia eu chego lá…”. Chegamos onde eu queria!

Música: arte e ciência de combinar harmoniosamente os sons; qualquer composição musical; execução de uma peça musical; solfa; orquestra; filarmônica; qualquer conjunto de sons agradáveis.

Músico: indivíduo que sabe música; o que faz da música profissão; membro de orquestra, banda ou filarmônica; musicista.

Ok. Agora a pergunta: quantos músicos você conhece? E quantos fazem da música profissão?
Você com certeza deve conhecer ou saber de alguém que toca algum instrumento e que, de repente, não teve “aquela chance…”. Ou que tem a chance (coisa rara!), mas… “meu pai quer que eu seja advogado…”.

Só quem está ou já esteve em cima de um palco — independente se pra cem, mil ou cem mil pessoas — sabe o que se passa. Sabe do trabalho que é feito, do tempo de estudo que tem que ser destinado à música, em todas as diretrizes: técnicas, interpretação etc.

Daí você está na tua casa, estudando seu instrumento naqueles mínimos quinze minutos diários que lhe sobraram — sim, porque você precisa trabalhar — e, de repente, seu vizinho liga o som num volume considerável e põe pra tocar funk.

Isso seria ótimo se estivéssemos tratando do funk real. Daquele feito por monstros da música que desvirginaram o blues e lançaram esse som louco pra se dançar. Nomes? Albert King, Janis Joplin, Brown… Não estou me referindo ao Mano Brown, mas sim a James Brown.

Mas como as coisas são do jeito que são, seus queridos vizinhos estão ouvindo o chamado “proibidão”. E isso é o máximo: a criatividade das pessoas que “compõem” esse tipo de coisa é simplesmente fascinante. Sim, porque as “letras” são sempre assim, digamos… instrutivas.

Quero deixar bem claro que não tenho nada contra qualquer estilo de música e nem estou querendo com isso fazer com que as pessoas passem a ouvir jazz, blues ou metal. Cada um ouve o que quer. Agora, não me venha com aquelas comparações básicas do tipo:
“música de louco é isso aí que você ouve, só barulho, mano…”
ou
“ó lá… o cara fala fininho e usa calça apertadinha…”

Pois é: o cara fala fininho, mas é tenor há um bom tempo e desfere esse conhecimento para o metal. O barulho que você ouve é feito por caras que estudaram e tocam instrumentos. O outro cabeludo ali estuda oito horas por dia pra tocar o que toca.

As pessoas se acostumaram a ouvir o que não presta, e confesso estar embasbacado. O pior de tudo é que parece que “quanto pior, melhor”. Sim, porque quanto mais violência e palavrão, melhor fica.

Enquanto isso, muitos músicos que estudam ali seus quinze minutos ou suas oito horas diárias estão perdendo espaço.
É claro que ainda é possível encontrar em bares, restaurantes e outros lugares músicos honrando a profissão, fazendo jus à oportunidade. É claro que ainda se encontram garagens com bandas ensaiando, garotos estudando música.

Mas quando você vir um capô de carro levantado, amigo… não espere ouvir música.
E se isso acontecer, diga com todo orgulho:

VIVA O ROCK N ROLL!!!

Valeu, galera.
Cimento pro XRockBrasil.com.br
Porque aqui o rock é concreto!

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