Houve um tempo em que as rádios de todo o planeta eram dominadas por uma voz rouca e riffs de guitarra que pareciam ter sido forjados para ecoar em estádios lotados. Vindos da pequena cidade de Hanna, no Canadá, o Nickelback não apenas conquistou as paradas; eles definiram a sonoridade do post-grunge comercial na virada do milênio. Amados por milhões e alvo de uma das maiores ondas de críticas da história da internet, a banda provou que a maior vingança é o sucesso duradouro. Com mais de 50 milhões de álbuns vendidos e hinos que se tornaram parte do DNA do rock moderno, a trajetória dos irmãos Kroeger é uma aula de determinação, resiliência e, acima de tudo, conexão com o público. Prepare-se para conhecer a história por trás de “How You Remind Me”, “Rockstar” e a saga de uma banda que se recusa a ser silenciada.
Tudo começou em Alberta, em meados dos anos 90. Chad Kroeger, seu irmão Mike, o primo Brandon Kroeger e o guitarrista Ryan Peake formaram a banda inicialmente chamada Village Idiot, logo mudando para Nickelback — um nome inspirado pelo troco (“nickel back”) que Mike dava aos clientes em seu trabalho no Starbucks. Em 1996, lançaram o independente Curb, seguido pelo promissor The State (1998). O som era cru, energético e mostrava que eles tinham o faro necessário para compor melodias que grudavam na mente.
O divisor de águas veio em 11 de setembro de 2001. Enquanto o mundo mudava para sempre, o Nickelback lançava Silver Side Up. O single “How You Remind Me” tornou-se uma das músicas mais tocadas da década, catapultando a banda para o estrelato global instantâneo. Chad Kroeger revelou-se um compositor mestre em transformar sentimentos universais em hinos de rock. O álbum vendeu milhões, mas também atraiu os primeiros olhares céticos da crítica especializada, que estranhava o sucesso avassalador de sua fórmula sonora.
Se alguém achava que eles seriam uma banda de um hit só, All The Right Reasons (2005) destruiu essa teoria. Com Daniel Adair assumindo a bateria, o álbum gerou sete singles, incluindo “Photograph”, “Savin’ Me” e a satírica “Rockstar”. Eles não eram mais apenas uma banda canadense; eram uma potência comercial imparável, lotando arenas ao redor do mundo e se tornando a face do rock nas paradas pop.
Com a onipresença veio a reação negativa. O Nickelback tornou-se um dos maiores “memes” da internet, frequentemente citados como a banda que as pessoas “amavam odiar”. No entanto, o grupo lidou com a situação com um humor ácido e uma ética de trabalho inabalável. Enquanto a internet discutia o seu estilo, a banda continuava lançando álbuns como Dark Horse e Get Rollin’, provando que a lealdade dos seus fãs era muito mais forte do que qualquer tendência virtual.
Ao entrarmos na década de 2010, a banda decidiu que era hora de arriscar. Em 2014, lançaram No Fixed Address, um disco que flertou com elementos de funk, pop e até batidas eletrônicas, mostrando que o Nickelback não tinha medo de sair da zona de conforto. Mas o verdadeiro rugido retornou em 2017 com Feed the Machine. Considerado um dos álbuns mais pesados e tecnicamente refinados da carreira, o trabalho trouxe letras com críticas políticas e riffs que remetiam ao auge do metal alternativo, calando aqueles que diziam que a banda tinha “amolecido” e provando que Chad Kroeger ainda sabia como conduzir uma massa sonora esmagadora.
A maturidade trouxe algo que o Nickelback sempre mereceu: o devido respeito da indústria. Em 2023, a banda foi imortalizada no Canadian Music Hall of Fame, um tributo definitivo à sua importância cultural e comercial para o rock mundial. Pouco antes, em 2022, o lançamento de Get Rollin’ já havia mostrado que a energia de estrada permanecia intacta. O álbum, uma
celebração do rock and roll clássico e da liberdade, preparou o terreno para turnês globais massivas que se estenderam pelos anos seguintes. Entre 2024 e o início de 2026, o grupo consolidou sua posição como uma das poucas bandas de sua geração capazes de manter a relevância no streaming e a força bruta nos palcos, equilibrando o legado de hits clássicos com uma produção contemporânea afiada.
Hoje, o Nickelback é visto sob uma nova perspectiva. A mesma internet que os criticou agora reconhece a qualidade de suas produções e a nostalgia que suas músicas evocam. Eles sobreviveram a mudanças de tendências, ao declínio da venda de CDs e ao escrutínio implacável, mantendo-se como um dos grupos mais bem-sucedidos da história do rock. No palco, eles continuam entregando o que sempre prometeram: um show de rock honesto, pesado e cheio de hits que todo o mundo sabe cantar. O Nickelback não é apenas uma banda; é o testemunho de que, no fim das contas, a voz do público é a única que realmente importa.

