por Sam
Sal na veia, irmão.
Eu gostaria de estar aqui hoje falando sobre o swell que está encostando ou sobre as manobras da nova geração. Mas a maré não está para festa. Ontem, o mundo do surfe ficou mais vazio. Perdemos o Yam Wisman.
Na edição passada a gente se despediu de uma lenda que viveu a vida inteira pelo sal, hoje o coração dói dobrado porque estamos falando de um moleque de 23 anos. Um talento que tinha o mundo todo pela frente, mas que teve sua jornada interrompida longe de casa.
O Yam não estava nas Filipinas a passeio. Ele estava lá fazendo o que amava: competindo, buscando o seu lugar no QS da WSL e, acima de tudo, vivendo a vida de free surfer que a gente tanto respeita. Ele tinha acabado de competir em La Unión e seguia para Palawan quando o destino pregou aquela peça covarde que a gente nunca entende.
É a ironia amarga da nossa vida. A gente passa o dia dropando onda pesada, encarando bancada de coral e correnteza, mas o perigo acaba vindo no asfalto, em um acidente de moto.
Yam carregava aquela energia única de Jijoca de Jericoacoara. Ele não era apenas um competidor de longboard ou shortboard; ele era um viajante, um cara que buscava o tubo perfeito e a conexão real com as pessoas.
Não é à toa que nomes como Joel Tudor e Aline Adisaka pararam tudo para prestar homenagem. O Yam tinha o respeito da elite porque surfava com a alma, sem frescura, com aquele sorriso de quem sabia que estar na água era o melhor presente que a vida podia dar.
A morte do Yam é um soco no estômago que nos lembra da nossa fragilidade. A gente acha que é invencível porque fura a onda, mas a vida é um sopro.
O que fica do Yam é o exemplo de um jovem que não teve medo de cruzar o oceano atrás de um sonho. Ele morreu vivendo o surfe em sua essência mais pura: explorando, viajando e desafiando o desconhecido.
“O surfe não é sobre quanto tempo você fica na prancha, mas sobre a intensidade com que você sente o mar. E o Yam sentiu cada segundo.”
Hoje não tem análise técnica. Hoje só tem silêncio em respeito à família Wisman e aos amigos de Jeri. Que as ondas das Filipinas guardem a memória desse moleque que brilhou rápido, mas com uma luz que ninguém vai esquecer.
Entrem no mar hoje por ele. Drope uma por ele.
Aloha e luz, Yam. A gente se vê no outside.

