Aaah Mulheke!!! Essa semana o baque foi forte. Perder o Ozzy é como se o mundo perdesse uma cor primária. Não se substitui. A gente perdeu o último dos “inconsequentes de verdade”. Um cara que viveu tanto que a morte parecia só mais um boato na carreira dele. O Príncipe das Trevas não era um personagem criado por uma equipe de marketing; ele era um cara da classe operária de Birmingham que, junto com outros três fudidos, inventou um som porque não tinha outra pXrra pra fazer. E esse som mudou o mundo.
E aí você liga a TV, abre o celular, e o que te vendem como “música”? Um exército de gente bonita cantando sobre nada, com uma batida que parece jingle de aplicativo. É música feita em laboratório, com prazo de validade de 15 segundos, que é o tempo da dancinha viral. É tudo tão calculado, tão seguro, tão… chato. Não tem perigo, não tem erro, não tem alma. É um produto. Ozzy era um caos. E a gente amava ele por isso.
Aaah Mulheke!!! Aí vem o profeta do apocalipse de camiseta preta desbotada, o guardião da chama, e solta a frase mais preguiçosa de todas: “O rock morreu”. Morreu, meu chapa? Sério? Você deu uma olhada na sua cidade ultimamente? Tem barzinho na esquina com uma banda mandando um Led Zeppelin que arrepia. Tem pub fudido com uns moleques suando pra tocar um som autoral. Tem garagem fazendo mais barulho que muita arena por aí. O rock não tá na TV, e daí? Ele nunca precisou disso.
Mas, aí eu te pergunto, justiceiro do rock: quando foi a última vez que você pagou 10 ou 20 reais de couvert pra ver uma dessas bandas? Quando foi que você comprou a camiseta de uma banda local em vez de mais uma daquela banda gringa que você já tem cinco? Quando você ficou pro show da banda de abertura em vez de chegar só pra principal? Você reclama que não tem banda nova, mas passa a noite no sofá, ouvindo o mesmo álbum de 30 anos atrás no Spotify e choramingando que “no seu tempo era melhor”.
O problema não é que o rock morreu. O problema é que muito “roqueiro” virou um fantasma. A gente só vai ter um novo Ozzy quando a gente sair de casa e der uma chance pro moleque esquisito que tá tentando fazer um som honesto no bar da esquina. O rock não morreu. Ele só tá esperando você aparecer no show.
Aaah Mulheke!

