Por Ande Miranda
E aí, beleza?
Quero escrever aqui sobre algo muito importante, que deveria estar presente no nosso cotidiano mas que hoje é cada vez mais raro.
É sobre o Silêncio.
Sim, Silêncio.
Assim, sem exclamação.
Com ponto final mesmo, sem obrigação. Ele por ele.
Enquanto digito esse texto, pelo celular (no modo silencioso), consigo ouvir os pássaros ao longe, um cachorro latindo (mais longe ainda), o barulho de motores que despejam gás carbônico no ar, “engraçadinhos” com suas motocicletas e seus escapamentos “esportivos”, querendo atenção, as 7 da manhã de domingo.
A quanto tempo você não fica em silêncio?
Hoje, com a informação chegando Full Time, Internet, TV, Rádio, Carros de Anúncio, entre outros, são raros os momentos assim.
Pra mim, o silêncio é fundamental.
É quando me conecto comigo mesmo. Alinho minhas ideias, planos. Eu realmente gosto. Me sinto bem com ele.
Pra quem mora em grandes centros, esse passa a ser um evento raro, por conta do ritmo acelerado das metrópoles e, mesmo em outros logradouros, sempre tem aquele vizinho que compartilha o que está ouvindo, independente do estilo (geralmente há ritmo, volume e graves acentuados), ou aquele lamento, regado a bebida alcoólica, letras sobre relacionamentos fracassados e um desejo que todos saibam do ocorrido, como se compartilhar a dor (se é que é isso mesmo) amenizasse a situação..
Raramente vai se ouvir alguém ouvindo Mozart em volume exorbitante, e não estou defendendo quem o faça, essa não é a questão.
Há quem esteja sozinho em casa e deixe a TV ligada, pra “preencher o ambiente”.
Como se houvesse a necessidade de saber de tudo, falar de tudo, colocar trilha sonora em tudo.
Como se tivéssemos perdido os parâmetros entre solitude e solidão.
Esses dias li algo que dizia algo nesse sentido:
“Só abra sua boca se o que tens a dizer for mais bonito que o silêncio.”
Assim, sem mais, me calo.

