Notas Escondidas: Como um suicídio real no Texas e uma edição mal feita de um videoclipe criaram um dos maiores mal-entendidos da história do rock.

A música começa com um som único: um baixo de 12 cordas que soa misterioso, quase como um sino. A bateria entra quebrada, tensa. E então a voz do vocalista surge, narrando a vida de um garoto que desenhava montanhas, que tinha pais ausentes e que vivia em um mundo próprio.

O refrão é um dos mais icônicos dos anos 90 e o videoclipe dessa música foi repetido à exaustão na MTV, ganhando quatro prêmios no VMA. Mas ele carregava um problema. A versão que todos nós assistimos na TV terminava com a imagem da sala de aula coberta de sangue e os alunos paralisados de choque. Essa edição fez o mundo inteiro acreditar que o garoto da música havia entrado na escola e atirado em seus colegas.

Mas essa não é a história real. A verdade foi censurada, cortada da tela, mudando completamente o sentido do que a banda queria dizer.

A banda é o Pearl Jam. A música, o clássico “Jeremy”. E a história real não é sobre um massacre escolar, mas sobre o suicídio solitário e desesperado de um jovem chamado Jeremy Wade Delle.

O “Pequeno Parágrafo” no Jornal

Em 8 de janeiro de 1991, Jeremy Wade Delle, um estudante de 15 anos do Texas, chegou atrasado à sua aula de inglês. A professora pediu que ele fosse à secretaria pegar uma autorização. Ele saiu, mas voltou minutos depois com um revólver .357 Magnum. Diante da professora e de seus 30 colegas, ele disse: “Senhorita, eu consegui o que eu realmente fui buscar”. E então, tirou a própria vida na frente de todos.

Eddie Vedder leu essa notícia em um pequeno parágrafo de um jornal. O que o chocou não foi apenas a tragédia, mas a insignificância dada a ela. Ele sentiu a necessidade de dar voz e peso àquele ato. Em uma entrevista, Vedder explicou: “Você se mata e faz um grande sacrifício tentando obter vingança, e tudo o que você consegue é um parágrafo no jornal… O mundo continua e você se foi”.

A música foi a maneira de Vedder garantir que Jeremy não fosse apenas uma nota de rodapé. Para compor a narrativa, ele misturou a história de Jeremy Delle com a de um colega que ele conheceu no ensino fundamental, que de fato levou uma arma para a escola e atirou em uma sala de oceanografia (sem ferir ninguém).

A Confusão do Videoclipe

Então, por que tantos acham que Jeremy matou os colegas? Culpa da MTV.

No clipe original gravado pela banda, a cena final mostrava o ator (o incrível Trevor Wilson) colocando a arma na boca. A MTV proibiu a cena. O diretor, Mark Pellington, teve que editar o vídeo, cortando o momento do disparo e pulando direto para a cena dos colegas sujos de sangue (que, na visão artística, era o sangue do próprio Jeremy metaforicamente manchando a sociedade).

Sem a cena do suicídio, a audiência presumiu o óbvio: ele atirou neles. A mensagem sobre a dor interna, a depressão e o grito de socorro de um suicida foi distorcida e transformada em uma narrativa de violência externa.

Somente anos depois a versão sem censura foi amplamente divulgada, revelando a intenção original da banda: mostrar que o maior inimigo de Jeremy não eram seus colegas, mas a profunda solidão que ninguém notou até ser tarde demais.


E aí, curtiu a história? Deixe nos comentários qual clássico do rock você quer ver desvendado na nossa próxima coluna!

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