DEZEMBRO: O CALOR AQUECE, A MASSA INVADE E A PACIÊNCIA É TESTADA

por Sam

 

Sal na veia, irmão.

Olha pro calendário. Virou a folhinha. Chegou dezembro.

Pra quem mora na capital, isso significa festa, férias e 13º salário. Pra gente que vive com o pé na areia aqui em Itanhaém e no litoral todo, isso significa outra coisa: a temporada de caça à onda vazia está aberta.

O vento mudou. Aquele friozinho que mantinha o lineup só com os guerreiros locais foi embora. Agora, o sol estala, a água esquenta e as rodovias entopem. É a época em que a praia deixa de ser santuário e vira formigueiro.

Dizem que “o valor chega” nessa época. E chega mesmo. O comércio sorri, o turismo bomba, a cidade ganha vida. Mas o preço que a gente paga na água é alto.

O mar não fica maior, mas o espaço diminui. De repente, aquele pico que você surfava com dois ou três parceiros tem trinta cabeças. Tem gente de funboard, gente de bodyboard, gente de boia de flamingo sendo arrastada pela correnteza.

O desafio de dezembro até o Carnaval não é só dropar a onda. É desviar do obstáculo. É ter olho nas costas. É saber que, a qualquer momento, uma prancha de aluguel pode vir voando na sua direção sem piloto.

Antigamente, eu ficava possesso. Gritava, expulsava, fechava a cara. Hoje, com o cabelo branco e a pele curtida de sol, eu vejo diferente. Não adianta brigar com a maré, e não adianta brigar com o verão. Ele vai acontecer.

O desafio agora é outro: sobrevivência e educação.

Para a molecada local: Não adianta só xingar o haole (o turista) que rabeou. Tem que educar. O cara muitas vezes não faz por mal, faz por ignorância. O mar é perigoso pra quem não conhece. Em vez de arrumar briga, dá o toque. “Irmão, aqui é canal, sai daí que você vai se machucar”. “Ei, segura a prancha, não solta quando a série entrar”. A gente tem que ser o guarda-vidas não oficial do pico.

Para quem está chegando: Sejam bem-vindos ao nosso quintal, mas lembrem-se que é o nosso quintal.

  • Respeite a fila: Se tem gente esperando a onda, não reme direto pro inside achando que é o dono do pedaço.
  • Conheça seu limite: Se o mar subiu e você não tem remada, fica na areia. Não coloque a sua vida e a de quem vai tentar te salvar em risco.
  • O LIXO É SEU: Essa é a regra de ouro. O verão traz gente, e gente traz lixo. Papel de sorvete, bituca de cigarro, garrafa pet. O oceano não digere plástico. Se trouxe, leva de volta. Não seja o prego que suja a casa dos outros.

Quer surfar de verdade nessa época? Mude seus hábitos. O verão exige sacrifício. É acordar às 4h30 da manhã pra pegar o glass antes da multidão acordar. É cair na água no final de tarde, quando o sol baixa e a farofa na areia diminui.

Dezembro é lindo. A energia é boa, a água é clara. Mas exige atenção redobrada. Vamos curtir a temporada, vamos aproveitar o calor, mas sempre com aquele olho vivo.

O verão é de todos, mas o respeito é a única lei que não tira férias.

Boa temporada pra nós. E paciência, muita paciência.

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