A ESQUIZOFRENIA DO SOM AMBIENTE

Aaah Mulheke!!!

Eu juro que tentei. Saí de casa essa semana com um único objetivo: tomar uma cerveja gelada e ouvir um rock ‘n’ roll honesto. Parecia um plano simples, sem chance de dar errado. Doce ilusão. Caí numa armadilha que tá virando praga: a “Noite de Rock Jekyll e Hyde”.

A cena é essa: você chega no bar, tem um cartaz bonito na porta prometendo “o melhor do rock”. Beleza. Senta, pede uma breja. Um músico sobe no palco, um cara bom, mandando um Pearl Jam, um Alice in Chains que te faz balançar a cabeça. O som tá legal, a vibe tá certa. Você pensa: “É hoje”. Aí o cara termina o primeiro set e anuncia: “Volto em 15 minutinhos”. É aí que o inferno começa.

Você espera ouvir um AC/DC, um Motörhead no som mecânico, certo? Errado. Do nada, sem aviso, as caixas de som começam a vomitar um pagode dos anos 90, um forró universitário ou, pior, aquele funk com uma batida que parece um despertador com defeito. Que pXrra é essa? É uma traição auditiva. É o dono do bar com medo de assumir uma identidade, tentando agradar todo mundo e acabando por criar uma salada de fruta sonora que não agrada ninguém. É uma esquizofrenia musical. Se é noite de rock, caralho, que seja de rock!

Aaah Mulheke!!! E quando você acha que a merXda não pode piorar, você resolve ir pro bar do lado. E aí você encontra a “Guerra Civil de Decibéis”.

Um bar tem um cara tocando violão, mandando um som acústico. Na mesa do lado, um casal tentando conversar e curtir o som. Mas é impossível. Porque o bar vizinho, separado por uma samambaia de plástico, resolveu botar uma caixa de som do tamanho de um fusca na calçada, tocando sertanejo no volume de fim de mundo. O músico do acústico se esgoela pra ser ouvido pela mesa que tá a dois metros dele. É uma disputa de território sonora, uma falta de respeito que beira o crime. O cliente que escolheu ouvir rock é obrigado a engolir a playlist do outro.

No fim, a gente não tá pedindo muito. A gente só queria um lugar com uma identidade, que respeitasse o músico que contrata e o público que atrai. Não precisa ser o fã mais chato do mundo pra se sentir um idiota no meio dessa bagunça.

Aaah Mulheke!

 

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